Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

DR. GRANA - Site de quebra coletiva

Terça, 21 de Junho de 2011 às 15:58, por: CdB

Digamos que um empresário deseje anunciar um produto ou serviço num site de compras coletivas. Para que seu anúncio tenha destaque, ele deverá oferecer um desconto de 50% a 90%. Do valor anunciado, o site cobrará uma comissão por volta de 50% a 60%. Resumindo: anunciando um produto que custe R$ 100,00, com 90% de desconto e uma comissão de 60%, o empresário receberá pela venda o valor bruto de R$ 4,00. Interessante, não? Os sites de compras coletivas viraram uma febre. Somente no Brasil, estima-se que surja um novo site a cada 15 dias. Tem grupo empresarial que investiu mais de R$ 20 milhões para o lançamento de um único site. Em contrapartida, tem gente que consegue publicar, praticamente o mesmo site, por menos de R$ 10 mil. Qualidade Para o consumidor, adquirir produtos e serviços em sites de compras coletivas tem seus encantos. Em algumas ofertas, o ganho de até 90% chega a ser real. Mas a pergunta que não quer calar é: com uma remuneração tão baixa, até quando o empresário manterá a qualidade nos produtos e serviços ofertados? O brasileiro é extremamente criativo. Em muitas ofertas já é possível identificar supermajoração de preços, para que o custo final do produto ou serviço oferecido fique próximo ao do preço real de venda. Quando não, percebe-se baixa qualidade no cumprimento do que foi ofertado. Uma forma errada, mas que, lamentavelmente, vem crescendo entre os anunciantes de sites coletivos. Marketing O principal argumento dos grandes players de mercado é que o site de compras funciona muito mais como forma de marketing do que como ponto de venda. A tese defendida é de que as ofertas são divulgadas em redes de relacionamento e o nome da empresa anunciante passa a ser disseminado de forma positiva. No início, até que podia ser. Hoje, ou num futuro bem próximo, nem tanto. Como se diz no mercado financeiro, não existe almoço grátis. Como consumidor, nunca enxerguei com bons olhos ofertas coletivas. Na verdade, nunca enxerguei com bons olhos nada que ofereça vantagens estratosféricas. Suponhamos, por exemplo, que um hospital ofereça cirurgias com 90% de desconto. Por mais tradicional que seja o hospital, certamente, vou desconfiar na hora de levar um ente querido para realizar uma cirurgia. Vermelho A verdade é que a conta não fecha. Oferecer um produto num site de compras coletivas, com as atuais taxas praticadas, é inviável. Se você é empresário e deseja divulgar sua empresa por meio da internet, é muito melhor divulgá-la nos mecanismos tradicionais de pesquisa. O retorno é tão rápido quanto a sua disposição financeira para anunciar. Não sei por quanto tempo esse formato de sites de compras coletivas se manterá. Já existe até site de compras coletivas anunciando sites de compras coletivas. O empresariado não é bobo – muito menos o consumidor. Ou os sites começam a rever seus retornos financeiros ou, certamente, a grande febre passará. (*) Wenderson Wanzeller é atuário, consultor de crédito e cobrança, comentarista econômico da Rede Canção Nova e atua no mercado financeiro há mais de 15 anos. Fale com ele pelo emailou pelo Twitter @brpress.

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