Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

DR. GRANA - Quebralife

Segunda, 20 de Junho de 2011 às 20:20, por: CdB

Wenderson Wanzeller*/Especial para BR Press

(BR Press) - Há cinco anos, escrevi um artigo intitulado Pirâmide de Azar. Ele tratava das empresas de "network marketing" como a Amway, Victoria e Herbalife. Fui duro ao criticar o sistema de vendas e isso gerou muita polêmica.

Na época, recebi dezenas de e-mails mal criados dos respectivos afiliados. Contudo, o que me confortou naquele período, foi a quantidade de mensagens que também recebi em apoio. A proporção ficou em torno de 10 elogios para cada crítica negativa.

Por que voltar ao assunto? Simples. Para me defender de uma injusta retaliação que sofri – pasmem – na semana passada. Recebi em minha caixa postal um e-mail solicitando um currículo para a apresentação de uma palestra. Gentilmente encaminhei o material com todas as condições e fiquei aguardando o retorno. Para surpresa, recebi a seguinte mensagem no dia seguinte:

"Não há mais interesse. Pesquisando na internet, achei uma matéria sua sobre Pirâmides de Azar, sendo que o Sr. foi muito infeliz na matéria, ou seja, não tem nenhum conhecimento sobre o tema abordado. Será que o Sr. Robert Kiyosaki, Steven Covey, Donald Trump, estão todos tão errados??? Trabalho com multinível sério há 12 anos, empresa líder no mercado mundial e me sinto ofendido com a sua "pobre" abordagem. José"

De forma muito educada, respondi ao Sr. José com a seguinte proposta:

"Olá José, tudo bem sobre a palestra. Escrevi aquele artigo há mais de cinco anos. Pelo que entendi, você deve trabalhar com Herbalife, não é isso? Saiba que respeito os seus 12 anos de dedicação. Contudo, quero deixar claro que, em princípio, não mudei meu ponto de vista.

Você toparia me falar um pouco sobre a sua história e, no final, me conceder uma entrevista? Se eu for convencido do contrário, não terei nenhum problema em fazer um novo artigo dizendo que eu estava enganado."

O que disse o Sr. José depois disso? Nada. Absolutamente nada.

Prejuízos

Infelizmente, contrariando o que diz os amigos do Sr. José, a esmagadora maioria dos leitores de meu artigo era de pessoas que sofreram ou que conheciam alguém que havia sofrido prejuízos com o citado trabalho multinível. E, diga-se de passagem, as coisas não mudaram muito nesses últimos cinco anos. Já surgiram e desapareceram do mapa pelo menos umas três novas empresas com essa mesma linha de comercialização.

Recorrentemente afirmo: até hoje não conheci uma fórmula concreta para se ganhar dinheiro rápido e fácil. Pelo menos não honestamente. A probabilidade de se contrair dívidas, de ter problemas com a família e amigos, é infinitamente maior do que a probabilidade de ter algum tipo de sucesso com atividades que apelam única e exclusivamente para sonhos alheios.

É claro que respeito os que acreditam na proposta do Sr. José. Concordar é algo diferente. No passado, cheguei a receber algumas cópias de cheques de pessoas que orgulhosamente mostravam seu resultado. O problema é que a maioria gastava duas ou até três vezes mais para fazer jus ao simplório pagamento. Como ressalta o dito popular: "O pior cego é aquele que não quer ver".

(*) Wenderson Wanzeller é atuário, consultor de crédito e cobrança, comentarista econômico da Rede Canção Nova e atua no mercado financeiro há mais de 15 anos. Fale com ele pelo emailou pelo Twitter @brpress.

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