Wenderson Wanzeller*/Especial para BR Press
(BR Press) - Semanalmente, recebo dezenas de e-mails prometendo limpar o nome de quem está negativado no sistema de proteção ao crédito. A maioria garante, inclusive, que tudo pode ser feito sem pagar nada ao credor.
Pois bem, a fim de tratar deste assunto de forma didática e, para acabar definitivamente com o mercado clandestino, explicarei as três formas possíveis de se realizar esta transação.
A primeira é a mais simples, contudo, a menos recomendada.
Forma número 01: Morrendo. É isso mesmo. Batendo as botas. Partindo dessa para uma melhor. Já diz o ditado popular: "Depois de morto, todos viram santos". E, cá pra nós, ninguém cobra dívida de defunto. Talvez até cobrem do espólio. Mas não do defunto.
Essa também não é muito recomendada, pode dar cadeia, mas, vamos a ela. Forma número 02: ameaçando o credor. Basta ligar para o credor ameaçando-o de uma surra. Diga que se o nome não for retirado imediatamente do cadastro de proteção ao crédito, ele apanhará feito boi ladrão. Se não der cadeia, geralmente o nome fica limpo em até 48hs.
Agora a minha preferida e que, verdadeiramente, oferece 100% de sucesso. Forma número 03: rezando para Santa Edwiges. Trata-se da santa que dá amparo aos pobres, ajuda os desvalidos e dá socorro aos endividados. Geralmente, a graça vem antes, contudo, o milagre sempre acontece no quinto ano completo de inadimplência.
Tirando as 03 formas acima, sinto muito em dizer: não há como limpar o nome sem pagar o débito ao credor. Não caia em contos do vigário ou em promessas duvidosas.
Sem pagamento do débito, não existe forma lícita para reabilitação do nome. A única exceção, que é prevista em Lei, é quando do cumprimento do prazo de cinco anos para prescrição da negativação. O nome fica limpo, contudo, a dívida ainda estará aberta com o credor.
Não existe, em nenhum lugar da Terra, bom pagador sem dinheiro. Mesmo eu, o Dr. Grana, se ficar sem meus proventos mensais, não terei como pagar o condomínio ou a escola dos filhos no final do mês. Numa situação de desespero, a melhor coisa a fazer é se acalmar. Nunca deixe de atender os credores. Mas, se não tiver o dinheiro, seja sincero e explique a real situação.
Negociação
A melhor forma para se resolver problemas cadastrais é, e sempre será, a negociação direta, objetiva e transparente com o credor. Raríssimos são os casos onde o devedor pretende pagar a dívida e não consegue chegar a um acordo amigável. Buscar meios alternativos e que estejam imbuídos de uma motivação ilícita só piora as coisas.
Conheço gente rica, que ficou pobre, e enriqueceu novamente. Acompanhei a geração de fortuna de novos ricos. Vivi e já vi muitos viverem momentos de alta pressão financeira. Quais os que tiveram sucesso? Os que mantiveram a cabeça no lugar.
Portanto, não se deixe lavar por falsos profetas que prometem limpar o nome sem pagamento ao credor. Se ficar tentado, basta se lembrar do seguinte: dívida não dá cadeia, falcatrua sim.
(*) Wenderson Wanzeller é atuário, consultor de crédito e cobrança, comentarista econômico da Rede Canção Nova e atua no mercado financeiro há mais de 15 anos. Fale com ele pelo emailou pelo Twitter @brpress.