Rio de Janeiro, 28 de Março de 2026

Dossiê: PF investigará Abel Pereira

A Polícia Federal de Cuiabá vai abrir um inquérito para apurar especificamente o envolvimento do empresário Abel Pereira no caso do dossiê que pretendia envolver políticos na compra superfaturada de ambulâncias através de emendas parlamentares. (Leia Mais)

Domingo, 24 de Setembro de 2006 às 14:18, por: CdB

A Polícia Federal de Cuiabá vai abrir um inquérito para apurar especificamente o envolvimento do empresário Abel Pereira no caso do dossiê que pretendia envolver políticos na compra superfaturada de ambulâncias através de emendas parlamentares. A assessoria de imprensa do delegado Diógenes Curado Filho confirmou neste domingo que a investigação deve começar amanhã ou, no mais tardar, terça-feira.

O empresário terá um processo à parte, segundo a PF, por ter sido citado nos depoimentos dos principais personagens da investigação em curso.

Ele seria peça-chave do esquema que está sendo investigado também pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas. O esquema que usava verbas do Orçamento Geral da União envolveria parlamentares, o Ministério da Saúde e empresas que vendiam equipamentos médicos, como a Planam, dos empresários Luiz Antônio e Darci Vedoin. O empresário teria participado da liberação de emendas na gestão de Barjas Negri no Ministério da Saúde, quando Fernando Henrique Cardoso era presidente. Negri assumiu a pasta após ter sido secretário-executivo de José Serra, atual candidato ao governo paulista.

O envolvimento de Abel Pereira com o escândalo do dossiê tem aumentado desde que a história foi deflagrada, no dia 15, com a prisão de Gedimar Passos (agente aposentado da PF) e Valdebran Padilha (filiado ao PT de Mato Grosso) num hotel de São Paulo, com R$ 1,7 milhão. No mesmo dia, a revista IstoÉ publicou entrevista com os irmãos Vedoin, da Planam, acusada de comandar o esquema fraudulento de compra de ambulâncias. Na revista, disseram que o esquema nunca funcionou bem quanto na gestão Serra. Na quinta-feira passada, à Polícia Federal, Luiz Vedoin negou que Serra tenha participado do esquema.

Outra acusação de Luiz Antônio Vedoin que pauta a apuração do imbróglio foi dada um dia antes da prisão em São Paulo. Ele disse ao Ministério Público que repassava dinheiro a Abel Pereira para se beneficiar nas licitações do Ministério da Saúde. O novo inquérito da PF vai tentar comprovar a propina.

A movimentação financeira que mais gera dúvidas no momento é a origem do dinheiro encontrado com Gedimar e Valdebran, parte em reais e parte em dólares, que seria utilizada, supostamente, para comprar o dossiê. Até o momento, a PF só divulgou o nome de três bancos (Bradesco, Bank Boston e Safra) e duas agências, nas cidades de Caxias (RJ) e Campo Grande (MS) de onde teriam saído os valores.

Integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas reclamaram na sexta-feira (22) que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ligado ao Ministério da Fazenda, ainda não informou os números das contas por onde passou o dinheiro.

A oposição acusa o governo de retardar as investigações e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, diz que o processo eleitoral não pode ditar o ritmo policial e judicial.

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