Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Dossiê mexe com a campanha e Minas se transforma em fiel da balança

Segunda, 07 de Junho de 2010 às 11:00, por: CdB

A divulgação de um suposto dossiê produzido por policiais federais aposentados, a mando de políticos petistas ou tucanos, ainda não se sabe ao certo, foi o ingrediente que mexeu com os números dos principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto, na última semana. Levantamento do Ibope feito a pedido do diário consevador paulistano O Estado de S. Paulo e pela TV Globo, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) seguem, cada um, com 37% das preferências dos eleitores. Em relação à pesquisa anterior do Ibope, feita em abril, antes da propaganda dos dois principais pré-candidatos no rádio e na TV, antes, portanto, do estouro do novo escândalo eleitoral, Dilma subiu cinco pontos porcentuais, enquanto Serra caiu três.

Segundo analistas engajados como o ex-prefeito carioca, Cesar Maia, líder do Democratas e candidato a uma vaga no Senado, Minas Gerais continua como fiel da balança na definição do novo presidente. Berço da Inconfidência e, agora, do dossiê que abala a estrutura de campanha dos tucanos, o Estado governado pelo virtual senador eleito pelo próprio PSDB, Aécio Neves, tende a despejar seus votos na candidatura petista.

Maia, em cálculos publicados na edição desta segunda-feira de seu Ex-Blog, aponta que Serra tende a vencer em SP e no Sul, enquanto Dilma conquista o Nordeste e o Norte. "O Centro-Oeste tende a ficar no nível de um empate. A tendência é SP mais o Sul e Nordeste mais o Norte se anularem, o que levaria a eleição ser decidida em Minas e no Rio, que somam praticamente 20% do eleitorado votante".

Ainda na análise do ex-prefeito, "Serra continua vencendo entre as mulheres -38% x 33%- e Dilma entre os homens -41% x 35%. Serra vence entre os de maior renda e nível de instrução. Dilma entre os de menor renda e nível de instrução".

Escândalo

O jornalista e consultor Luiz Lanzetta, pivô do mais novo escândalo político que influencia a corrida presidencial, se diz ansioso por uma convocação para falar sobre seu encontro com supostos "agentes secretos", em Brasília, junto com alguns ex-agentes e servidores da Aeronáutica e da Polícia Federal. O grupo teria sido contratado para produzir material negativo contra adversários políticos de integrantes das principais legendas do país.

Lanzetta ocupava um cargo na campanha à Presidência da ex-ministra-chefe da Casa Civil, mas pediu para ser afastado após a divulgação do encontro com o grupo suspeito de produzir relatórios contra a filha do candidato tucano, Verônica Serra, ex-sócia da irmã do banqueiro Daniel Dantas, Verônica Dantas, investigada na Operação Satiagraha, da PF..

Aos jornalistas, Lanzetta garante que pretende depor "no Congresso ou em praça pública", dar detalhes da conversa que teve com o ex-agente do serviço secreto da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o "sargento Dadá", e com o delegado aposentado Onézimo Souza, no restaurante Fritz, em Brasília, no último dia 20.

– Ele (Onézimo) falou da estrutura do esquema de espionagem do (deputado federal) Marcelo Itagiba (PSDB-RJ). Ele falou que Itagiba tinha 100 dossiês contra a base aliada, não era apenas contra o PT – disse Lanzetta. Itagiba também é delegado da Polícia Federal.

Lanzetta acrescentou que o PSDB, ao contrário dos petistas, é que precisa dar explicações sobre o escândalo.

– O problema está do outro lado. Eu falo em qualquer lugar, em praça pública, quero falar, quero que me convoquem. Uso até PowerPoint – afirmou, ao desafiar o delegado Onézimo a dar sua versão do encontro.

Lanzetta tem repetido ainda que que não aceitou a proposta dos supostos agentes secretos para comprar os dossiês oferecidos. Sem os dados necessários para formar uma rápida opinião sobre a atitude do ex-funcionário da campanha, a direção do PT preferiu manter distância. Principal coordenador da campanha, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, e o presidente do PT, José Eduardo Dutra, frisaram que o jornalista não agia sob as ordens da cabeça da campanha de Dilma e toda a responsabilidade cabia à empresa do jornalista, a Lanza Comunicação.

O caso, para mais preocupação ainda no ninho tucano e no quartel general petista, vai parar na Câmara dos Deputados, possivelmente na forma de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), já adiantou que prentende convocar todos os participantes da reunião para explicar o episódio. Fruet quer mobilizar a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso e o Ministério Público Federal.

Minas em foco

Presente ao foco dos acontecimentos, onde a eleição tende a ser decidida, Serra percorreu, nesta segunda-feira, as estradas mineiras em busca de apoio junto aos reticentes líderes políticos locais. Acompanhado do ex-governador Aécio Neves, Serra seguiu para Montes Claros, um dos 286 municípios controlados pela aliança da direita, entre os 853 municípios do Estado. Famoso por seu jeito peculiar de fazer política, o candidato tucano enfrenta um pântano traiçoeiro na tentativa de superar a rejeição dos poucos aliados que ainda lhe restam na área de influência do presidenciável local, preterido pelo candidato paulista.

Serra encontra sérias dificuldades para conquistar aliados entre prefeitos das legendas que integram tanto a base federal quanto a aliança estadual, como PP, PDT e PSB e já admite que a petista Dilma está melhor colocada entre eles. Pesquisa realizada pelo diário conservador paulistano Folha de S. Paulo e divulgada na edição desta segunda-feira, mostra que entre os prefeitos do DEM, PSB e PSDB ouvidos, 64 se disseram indecisos, "seis declararam neutralidade e nove afirmaram apoiar Dilma. Cinco não quiseram revelar quem apoiarão", acrescenta o jornal.

A principal causa da rejeição de Serra em Minas gerais, de acordo com o estudo divulgado, é a "mágoa por Aécio não ter sido o candidato a presidente do PSDB". A gratidão ao governo Lula, pelo repasse de verbas aos municípios mais pobres, e as alianças locais com os partidos da base aliada ao PT também pesam na escolha do futuro presidente da República. Outros também criticaram o estilo de Serra.

– A Dilma me abraça. O Serra nem olha para a cara, é um homem seco – afirmou Dinair Isaac (DEM), de Capinópolis, aos jornalistas.

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