Ex-deputado e um dos coordenadores da campanha presidencial da pré-candidata petista, Dilma Rousseff, José Dirceu (PT) afirmou que o caso do suposto dossiê foi um "factoide" alimentado pela pré-campanha de José Serra (PSDB), que estaria, segundo o petista, em "crise, sem discurso político, programa ou alianças". Em conversa com jornalistas, Dirceu negou que o assunto tenha sido tema de debate na coordenação da pré-campanha de Dilma. Ele acrescentou que nas últimas reuniões o assunto principal foram as alianças do PT nos Estados.
– A forma que ganhou (o caso do dossiê) foi mais uma tentativa, no caso do PSDB, e o próprio Serra assumiu, de criar um factóide, de desviar a atenção no momento da campanha, que é o momento em que ele tá caindo nas pesquisas, que tá em crise a campanha dele – disse Dirceu aos repórteres, na noite passada.
Ao falar sobre o dossiê, Dirceu não poupou o DEM.
– Ele (Serra) não tem discurso político, programa, não tem aliança. Porque a aliança com o DEM não é uma aliança, a aliança com o DEM é um ônus, não é um bônus – afirmou.
As críticas do candidato tucano ao presidente da Bolívia, Evo Morales, também foram alvo de comentários por parte de José Dirceu.
– Dá para entender porque o candidato da oposição (Serra), concentrou-se nas últimas semanas de campanha em críticas ao tráfico de drogas? Por que ele acusou os governos da Bolívia de omisso e do Brasil de cúmplice nessa questão, e desfechou pesados ataques ao Plano Nacional de Combate ao Crack lançado pelo governo Lula? – questionou Dirceu.
E respondeu em seguida:
– Dá se vocês observarem que com sua campanha e seu PSDB em crise e na tentativa de estancar sua queda contínua nas pesquisas Serra atira para todos os lados na tentativa de encontrar um tema que emplaque junto ao eleitorado e reverta essa situação. Ele está em empate técnico com Dilma Rousseff e, em algumas sondagens ela já livra alguns pontos de vantagem sobre ele – explicou.
Segundo Dirceu, o tucano não encontrou ainda o Norte da sua campanha.
– Encaixa-se nessa procura por um tema de campanha a promessa do candidato de, caso se elegesse, criar um Ministério da Segurança Pública - o terceiro ministério que ele promete criar. Não pegou, como não pegaram suas promessas anteriores de instituir os dois outros ministérios, o da Pessoa Portadora de Necessidades Especiais e o da Amazônia – concluiu.