Rio de Janeiro, 16 de Fevereiro de 2026

Dorian Gray e a oposição golpista

Por Gilson Caroni Filho - O prefeito César Maia não tem qualquer pudor ao explicitar qual a tática a ser adotada: “cabe à oposição - em todos os pontos cardeais - jogar novas pedras e garantir a intensidade do movimento dos círculos concêntricos. Será um semestre de ação continuada, que contaminará a opinião e reverterá o quadro de opinião pública”. (Leia Mais)

Quarta, 12 de Setembro de 2007 às 13:15, por: CdB

Moralismo udenista conjugado com defesa intransigente de minimização do Estado continua a ser a fórmula empregada da grande imprensa para deflagrar sua guerra diária contra o governo Lula. Não há dúvidas de que continuaremos a assistir, nos próximos meses, a contínuas tentativas de erodir a legitimidade da ampliação do regime democrático.

A proclamada desconstrução da imagem do presidente Lula não medirá esforços nem conhecerá limites.O "banho de ética na política brasileira”, prometido pela candidatura tucana derrotada ano passado, certamente será o mote recorrente de um jornalismo que, há dois anos, escreve o mesmo texto. Articulistas e blogueiros não cessarão de operar com ardor militante. Transformar-se em house organ do tucanato não é, para muitos veículos, experiência inédita. O baronato midiático, ao contrário do caseiro que contradisse Palocci, nunca teve problemas de filiação. Sempre foi o filho pródigo, varão que nunca negou apoio aos retrocessos políticos-institucionais promovidos pelas classes dominantes.

Se as oficinas de consenso tiveram papel de destaque na reeleição de FHC, o "príncipe" tardiamente convertido ao catolicismo da Contra-Reforma, também não houve motivos para negar apoio ao projeto político do chuchu do Opus Dei. Que o distinto leitor não duvide. Entre a prelazia pessoal do papa e os ditames do mercado pode haver mudanças quanto ao deus cultuado, mas as liturgias se assemelham. Ao optar por Alckmin, o núcleo duro do neoliberalismo brasileiro desfez castelos de areia. Ruíram as teses da polarização falsa e o mito do fim das clivagens políticas entre campos ideologicamente opostos. O que tivemos e (teremos) como expressão maior de oposição ao atual governo é a direita sem retoques. Aquela que não hesita em usar jargões do mais extremado conservadorismo ao defender família, religião e tradição.

A tática escolhida, nas última eleições, não foi segredo de Polichinelo. Alckmin foi vendido, segundo relatou o jornalista Kennedy Alencar, como o bom administrador, herdeiro político de Mário Covas. Na medida do possível, a imagem do governador paulista foi descolada de FHC. Sua presença no processo sucessório personificou a vitória da perseverança sobre os desejos da cúpula partidária. Adotando o discurso da competência, defendeu a redução de gastos públicos e a retomada das reformas neoliberais. Coube ao velho PFL intensificar os ataques ao governo , tentando jogá-lo no aparente limbo ético em que estava em 2005. O jogo sujo teve sangue nobre. FHC avalizou o método: “A hora é de sangrar o adversário"

O morador de São Paulo conhece bem os "banhos de ética" promovidos por Alckmin. O Banespa deixou de existir como banco de fomento. Além disso, o Estado perdeu a Eletropaulo, a Ceagesp, a Companhia Paulista de Força e Luz, a Comgás e a Fepasa, todos privatizados a pretexto de continuar o ajuste fiscal iniciado por Covas. A venda de ações da Sabesp e do banco Nossa Caixa a preços aviltantes foram exemplos da ação “saneadora” do anestesista de recursos públicos. Os resultado foi assustador. Segundo Márcio Pochmann , “em janeiro de 1995, no início do primeiro governo tucano, a dívida pública era de R$ 34 bilhões; hoje, ela é de R$ 123 bilhões".

Em termos de saúde, educação e segurança pública, a política adotada na mais importante unidade federativa do país foi a de terra arrasada. Os que se chocam com documentários sobre violência urbana deveriam se informar sobre o terror da Febem no governo paulista. CPIs, como todos sabem são abortadas em plenário, Um tucano, por princípio, só é probo por abafamento. E o que valeu para Alckmin continua valendo para Serra.

Pois bem, em meados de 2007, é isso que continua em jogo. Uma agenda que pretende, entre outras coisas, retomar a privatização de patrimônio público transferindo recursos para o setor financeiro. Estancar uma política econômico-social que faz o consumo crescer a uma média de 13% ao ano. Uma economia que vai

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