Em nota divulgada pela assessoria do canecão, os donos do Canecão se disseram surpreendidos pela decisão judicial que devolveu à UFRJ a posse do terreno, em Botafogo. A empresa alegou que ocupava o imóvel "de forma justa e legal". A empresa, inclusive, não explicou como ficam os shows já agendados, como o show de Edu Lobo neste final de semana e as apresentações de Diogo Nogueira e Sandra de Sá, Orquestra Tabajara, Johnny Winter e a peça Melhores do Mundo Futebol Clube, ainda durante o mês de maio.
A sentença do juiz substituto da 3ª Vara Federal do Rio, Fábio César dos Santos Oliveira, é definitiva e não cabem mais recursos. Nesta terça-feira, o reitor da UFRJ, Aloisio Teixeira, foi categórico ao dizer que não pretende fazer acordo com a empresa que administra o Canecão para garantir os shows que já estavam agendados e com venda de ingressos em curso. A exceção deve ficar por conta da gravação do DVD do músico George Israel, que estava marcada para terça e acabou cancelada.
O reitor também descartou uma licitação, conforme chegou a sugerir o prefeito Eduardo Paes. Com a medida, o imóvel terá que ser esvaziado. "O juiz Fábio César dos Santos Oliveira entendeu que a UFRJ tem domínio pleno do imóvel, sendo o Canecão mero locatário", informou, em nota, a Justiça Federal.
Aloisio Teixeira pretende convocar a classe artística do Rio para discutir a criação de um centro cultural no local. Segundo o reitor, a UFRJ é obrigada, pelo decreto-lei que estabeleceu a doação do terreno, a usar a área em atividades acadêmicas. Por isso, a ideia é que o centro cultural seja voltado a atividades de cursos de graduação e extensão de artes e música, mas sem perder espaço para espetáculos.
Teixeira disse que tem o apoio do ministro da Educação, Fernando Haddad, para a criação do centro cultural. O reitor pretende ainda procurar apoio institucional dos governos estadual e municipal e financeiro de empresas públicas e privadas. Ele disse que os ingressos na nova casa serão mais baratos.
A ação que lacrou o Canecão pegou a equipe de produção de George Israel de surpresa. Segundo o empresário do artista, Rafael Bruno, não se descarta a possibilidade de processar o Canecão pelo cancelamento do show. O empresário afirmou ter ficado sabendo do problema pela imprensa, ontem de manhã, quando se preparava para montar a infraestrutura do show, que custou cerca de R$ 80 mil.
Seria a gravação do terceiro disco solo de George Israel com músicas escritas em parceria com Cazuza. O show teria a participação de artistas convidados, como Elza Soares, Pepeu Gomes, Tico Santa Cruz e o grupo Paralamas do Sucesso.
A renda seria revertida à Sociedade Viva Cazuza e já haviam 500 ingressos vendidos. A gravação será remarcada e poderá ocorrer no próprio Canecão ou na Sala Leopoldo Miguez, da Escola de Música da UFRJ, segundo o reitor da UFRJ.
Os funcionários do Canecão também foram surpreendidos. Eles encontraram o imóvel fechado e vigiado por guardas patrimoniais da UFRJ. Segundo o gerente de RH Selni Correa, a casa tem 250 funcionários diretos e aproximadamente 300 terceirizados.