O proprietário da casa de três andares que desabou na noite de quinta-feira em Marechal Hermes, no subúrbio do Rio, foi multado cinco vezes. A informação foi confirmada pela assessoria da Secretaria municipal de Urbanismo.
Segundo o coordenador-técnico da Defesa Civil do Rio, Luiz André Moreira Alves, as obras foram embargadas em março deste ano.
Segundo Alves, na ocasião eles foram atender a uma solicitação de um vizinho. Ele informou que as obras estavam sendo realizadas de forma irregular. Ao analisarem a estrutura da casa, perceberam que o imóvel não sustentaria um outro pavimento.
— Na ocasião eles estavam construindo o segundo pavimento da casa. Nem sabíamos que eles iriam construir um terceiro andar. Na análise de março, percebemos que o imóvel não tinha estrutura para ser ampliado. Por isso interditamos as obras — disse.
Colunas estavam irregulares
O delegado da 30ª DP, Hércules Nascimento, informou que um resultado parcial da perícia realizada pela polícia na manhã desta sexta-feira mostrou que a casa tinha algumas colunas, porém totalmente irregulares.
A perícia da polícia foi concluída por volta das 10h30. Segundo o delegado, o laudo conclusivo deverá ficar pronto em 15 dias. Técnicos da Defesa Civil estão no local para realizar uma outra análise do acidente.
Donos de imóvel responderão por homicídio doloso
O delegado da 30ª DP (Marechal Hermes), Hércules Nascimento, informou na manhã desta sexta-feira que abriu inquérito por homicídio doloso (com intenção) contra os proprietários da casa que desabou na noite de quinta-feira, em Marechal Hermes, subúrbio do Rio.
No acidente, duas crianças morreram e 12 pessoas ficaram feridas. As mortas são Sara, 12 anos, filha dos donos da casa, e uma menina chamada Rafaela de Lucena, 8 anos.
A dona do imóvel, Rosângela Fernandes, está entre os feridos. Segundo o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, subúrbio do Rio, para onde a vítima foi levada, ela teve arrancada parte do couro cabeludo e na manhã desta sexta-feira passa por avaliação médica.
Seu marido, Gilberto Cavalcanti, ainda não foi encontrado pela polícia.
— Não precisa ser engenheiro para ver que a casa estava totalmente irregular. O imóvel não tem colunas, foram construídos mais dois andares, sendo que num deles havia uma piscina com capacidade de 30 mil litros de água. Além disso, tinha uma estrutura metálica na cobertura da residência, o que aumentou o peso. Por isso, a estrutura cedeu e provocou o acidente — disse.
Hércules informou que, caso exista um engenheiro responsável pela obra, ele também será indiciado. — Se puder, vou indiciar até o pedreiro das obra — ressaltou.
O delegado informou que moradores da região já teriam pedido a interdição das obras. Eles também teriam alertado o proprietário do imóvel quanto ao risco de desabamento. Inclusive, as obras já teriam sido embargadas pela Defesa Civil.
Feridos
Segundo a Secretaria estadual de Saúde, Andressa Cristina Castro, de 13 anos, sofreu escoriações leves, foi medicada no Getúlio Vargas e liberada na quinta-feira.
Além dela, Juliana Feitosa, de 12 anos, e Marcos Vinícius, de 17, também tiveram escoriações. Eles deram entrada no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, mas já foram liberados.
Três crianças, identificadas como Mateus, 11 anos, e as gêmeas Larissa e Natália foram atendidas no hospital Carlos Chagas. Elas tiveram escoriações e receberam alta.
Ainda não há informações sobre os outros feridos.
Perícia vistoria local
Na manhã desta sexta-feira, um perito da polícia vistoriou o local do acidente. Após esta averiguação, a Defesa Civil fez a sua vistoria. — Os laudos das vistorias só reforçarão as provas de que houve negligência por parte dos donos da casa — disse o delegado.