O "número dois" de Hong Kong, Donald Tsang, assumiu neste sábado interinamente o cargo de chefe do Executivo após a renúncia nesta semana de Tung Chee-Hwa, que havia cumprido a metade de seu mandato.
- Assumirei temporariamente as obrigações de Chefe do Executivo como secretário chefe da Administração sob o artigo 53 da Lei Básica (estatuto de autonomia de Hong Kong). - anunciou, na tarde deste sábado, Tsang, de 61 anos, durante uma entrevista coletiva na ex-colônia britânica.
- Convidei todos os membros de Conselho Executivo a continuar em seus cargos até que seja eleito um novo chefe do Executivo. - acrescentou Tsang, mas a oferta já foi rejeitada pelo secretário de Educação de Hong Kong, Arthur Li.
- Nas atuais circunstâncias e tendo em conta que o escritório do Chefe do Executivo ficou vago hoje, 12 de março, deve ser realizada a eleição (de um novo governante) no dia 10 de julho, de acordo com a lei. - afirmou Tsang.
A eleição de um novo Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong é realizada pela Comissão Eleitoral dessa autonomia, um órgão composto por 800 pessoas que controla o regime comunista chinês através de sua formação.
O Reino Unido entregou Hong Kong à China em 1997 mediante a fórmula "um país, dois sistemas", pela qual os novos donos do território se comprometiam a respeitar os sistemas de direitos e liberdades deixados pelos britânico durante pelo menos meio século.
No entanto, a China se assegurou de que teria a última palavra sobre a escolha dos governantes da região autônoma através de um sistema particular de eleição, como esta Comissão Eleitoral.
Tsang explicou que o Chefe do Executivo eleito terá um mandato exclusivo de dois anos, ou seja, o tempo que restava a Tung no Governo.
Isto quer dizer que de novo o Comitê Eleitoral se reunirá para escolher o governante de Hong Kong até 2007.
O governo central da China já descartou no ano passado a possibilidade da eleição por voto universal, uma aspiração solicitada várias vezes pelo movimento democrático de Hong Kong.
- O governo vai tentar manter a estabilidade de Hong Kong em todas as frentes, particularmente sociais e econômicas. Essa é nossa responsabilidade, mas não podemos fazer o trabalho sozinhos. Sem o apoio do Conselho Legislativo (Parlamento) e da comunidade, não teremos êxito. - disse Tsang.
O chefe do Executivo interino de Hong Kong concluiu seu discurso com um pedido aos cidadãos para "enfrentar estas mudanças de maneira positiva", de modo que não afete a economia nem o progresso de Hong Kong.
Tsang, um católico filho de um policial, fez toda a sua carreira dentro da administração de Hong Kong com qualidades que mereceram o reconhecimento do Reino Unido, que o nomeou cavalheiro do Império britânico, e agora das autoridades chinesas.
Já o magnata Tung é filho de uma família próspera e suas boas relações com o regime chinês e o mundo empresarial lhe deram o aval para dirigir Hong Kong após a transferência.
Apesar de sua experiência como líder, Tung ficou desgastado nos últimos oito anos com as exigências dos democratas e as pressões de Pequim para controlar o único território livre e pluralista da China.
O chefe do Executivo ainda teve de enfrentar problemas inesperados, como a crise financeira asiática, em 1997, e a epidemia de gripe que atingiu o continente em 2003.
Tung foi nomeado neste sábado vice-presidente da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês, um cargo basicamente honorário.
Donald Tsang assume cargo de chefe do Executido de Hong Kong
Sábado, 12 de Março de 2005 às 14:32, por: CdB