Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Donald Tsang assume cargo de chefe do Executido de Hong Kong

Sábado, 12 de Março de 2005 às 14:32, por: CdB

O "número dois" de Hong Kong, Donald Tsang, assumiu neste sábado interinamente o cargo de chefe do Executivo após a renúncia nesta semana de Tung Chee-Hwa, que havia cumprido a metade de seu mandato.

 - Assumirei temporariamente as obrigações de Chefe do Executivo como secretário chefe da Administração sob o artigo 53 da Lei Básica (estatuto de autonomia de Hong Kong). - anunciou, na tarde deste sábado, Tsang, de 61 anos, durante uma entrevista coletiva na ex-colônia britânica.

- Convidei todos os membros de Conselho Executivo a continuar em seus cargos até que seja eleito um novo chefe do Executivo. - acrescentou Tsang, mas a oferta já foi rejeitada pelo secretário de Educação de Hong Kong, Arthur Li.

- Nas atuais circunstâncias e tendo em conta que o escritório do Chefe do Executivo ficou vago hoje, 12 de março, deve ser realizada a eleição (de um novo governante) no dia 10 de julho, de acordo com a lei. - afirmou Tsang.

A eleição de um novo Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong é realizada pela Comissão Eleitoral dessa autonomia, um órgão composto por 800 pessoas que controla o regime comunista chinês através de sua formação.

O Reino Unido entregou Hong Kong à China em 1997 mediante a fórmula "um país, dois sistemas", pela qual os novos donos do território se comprometiam a respeitar os sistemas de direitos e liberdades deixados pelos britânico durante pelo menos meio século.

No entanto, a China se assegurou de que teria a última palavra sobre a escolha dos governantes da região autônoma através de um sistema particular de eleição, como esta Comissão Eleitoral.

Tsang explicou que o Chefe do Executivo eleito terá um mandato exclusivo de dois anos, ou seja, o tempo que restava a Tung no Governo.

Isto quer dizer que de novo o Comitê Eleitoral se reunirá para escolher o governante de Hong Kong até 2007.

O governo central da China já descartou no ano passado a possibilidade da eleição por voto universal, uma aspiração solicitada várias vezes pelo movimento democrático de Hong Kong.

- O governo vai tentar manter a estabilidade de Hong Kong em todas as frentes, particularmente sociais e econômicas. Essa é nossa responsabilidade, mas não podemos fazer o trabalho sozinhos. Sem o apoio do Conselho Legislativo (Parlamento) e da comunidade, não teremos êxito. - disse Tsang.

O chefe do Executivo interino de Hong Kong concluiu seu discurso com um pedido aos cidadãos para "enfrentar estas mudanças de maneira positiva", de modo que não afete a economia nem o progresso de Hong Kong.

Tsang, um católico filho de um policial, fez toda a sua carreira dentro da administração de Hong Kong com qualidades que mereceram o reconhecimento do Reino Unido, que o nomeou cavalheiro do Império britânico, e agora das autoridades chinesas.

Já o magnata Tung é filho de uma família próspera e suas boas relações com o regime chinês e o mundo empresarial lhe deram o aval para dirigir Hong Kong após a transferência.

Apesar de sua experiência como líder, Tung ficou desgastado nos últimos oito anos com as exigências dos democratas e as pressões de Pequim para controlar o único território livre e pluralista da China.

O chefe do Executivo ainda teve de enfrentar problemas inesperados, como a crise financeira asiática, em 1997, e a epidemia de gripe que atingiu o continente em 2003.

Tung foi nomeado neste sábado vice-presidente da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês, um cargo basicamente honorário.

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