A dona-de-casa e pensionista da Aeronáutica Rosa Angélica Avelino Ferreira, 45 anos, foi morta com um tiro de fuzil na cabeça, no fim da noite desta quarta-feira, no interior do Conjunto Residencial Presidente Costa e Silva, mais conhecido como Favela do Fumacê, em Realengo, na Zona Oeste do Rio.
Rosa Angélica saiu de casa para buscar a filha Clara Larissa, de 10 anos, em uma festa de aniversário e, quando voltava para casa, no bloco 29 do conjunto residencial, acompanhada da filha, foi baleada.
A menina viu a mãe ser baleada e correu para dentro de casa, o apartamento 110, gritando desesperadamente e acusando policiais militares. A vítima foi levada para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, em uma viatura da Polícia Militar, mas já chegou morta.
Parentes, amigos e vizinhos da vítima acusam três policiais do 14º BPM (Bangu) de matarem a dona-de-casa, que foi atingida por uma bala perdida. De acordo ainda com os denunciantes, os três policiais, que estavam escondidos no bloco 27 desde às 17h, faziam disparos em direção a um grupo de rapazes da comunidade e atingiram Rosa Angélica, quando ela já se encontrava na entrada do prédio, onde morava há 32 anos.
Uma das filhas da vítima, Aline Avelino Ferreira, 24 anos, contou que ela estava acompanhada do irmão, Washington Luiz Ferreira Santos, 26 anos, e do padastro deles, o aposentado do Iaserj Carlos Alberto Nunes Vieira, 60 anos, e foram impedidos de socorrer Rosa Angélica, que teve o corpo jogado em um camburão para ser levado ao Hospital.
— Minha mãe já estava morta quando eles levaram o corpo dela para o hospital. Muitos moradores viram eles matarem a minha mãe, que estava junto com a Larissa que ficou desesperada —disse Aline.
Segundo Aline, tudo aconteceu em menos de um minuto. Rosa Angélica saiu de casa para buscar Clara Larissa na festa e logo depois foram ouvidos os tiros. — Eu ainda gritei. Ai meu Deus! Minha mãe e a Larissa estão na rua. Não demorou muito e minha irmã entrou em casa gritando que tinham matado a minhã mãe. A Larissa viu tudo, estava do lado dela e também podia ter sido atingida pelos tiros — contou.
De acordo com os moradores, não houve troca de tiros. Segundo eles, os policiais saíram do esconderijo, no bloco 27, e fizeram os disparos em direção a um grupo de rapazes. O grupo fugiu sem revidar. Quando os policiais perceberam que atingiram a moradora, chamaram o patamo que estava do lado de fora da favela para socorrer. — Eles gritaram que uma mulher tinha sido atingida —contou uma moradora que assistiu tudo da janela de casa.
Na 35ª DP (Campo Grande), onde o caso foi registrado, policiais do batalhão de Bangu contaram que estavam na favela para combater o tráfico de entorpecentes e se depararam com um grupo de homens que fizeram diversos disparos contra eles. Houve troca de tiros e uma mulher foi baleada, socorrida e levada para o Albert Schweitzer, onde morreu.
Após o confronto, os policiais flagraram um adolescente de 17 anos com 91 trouxinhas de maconha e próximo dele encontraram duas granadas. O adolescente, mais tarde identificado como foragido do Centro de Recuperação de Infratores Adolescentes e Menores, foi levado para a delegacia de Campo Grande. As granadas apreendidas foram encaminhadas para o Esquadrão Anti-Bomba para serem examinadas.