A dona da loja de luxo Daslu, Eliana Tranchesi, afirmou, em depoimento nesta quarta-feira à Polícia Federal, que cuidava apenas do "glamour" da loja. A empresária teve a prisão temporária de cinco dias decretada, mas foi solta na noite desta quarta-feira depois de ficar presa durante dez horas. Ela obteve um alvará de soltura expedido pela juíza Maria Isabel do Prado, da 2ª Vara Federal de Guarulhos.
Uma megaoperação batizada de Operação Narciso, da força-tarefa liderada pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público, apreendeu documentos e computadores da empresa na manhã desta quarta-feira.
O superintendente-adjunto da Receita em São Paulo, Guilherme Adolfo Mendes, afirmou Eliana Tranchesi não negou as acusações. Segundo Mendes, Eliane afirmou que era responsável pelo marketing da loja.
Nas palavras do superintendente-adjunto, ela disse que sua tarefa era cuidar do "glamour" do empreendimento, e o irmão dela, Antonio Carlos Piva, seria o responsável pela área administrativa e contábil. Piva também foi preso na operação.
O advogado da Daslu, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, afirmou que houve abuso contra a cidadania durante a Operação Narciso. Segundo ele, as medidas extrapolaram a lei e foram exageradas. Ele chamou a operação de "espetáculo dantesco e trágico". Mariz também é defensor da jovem Suzane von Richthofen, acusada de assassinar os pais.
O ex-marido de Eliana, Bernardino Tranchesi Júnior, compareceu hoje à tarde na sede da PF. "Vim prestar solidariedade à minha ex-mulher", disse ele a jornalistas.
A PF explicou que as investigações começaram há seis meses com a apuração de fraude de importação no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A busca faz parte da "Operação Narciso", que está acontecendo ao mesmo tempo em São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo. Em Curitiba, cerca de 50 agentes fizeram uma busca na loja Fast Shop, localizada dentro de um shopping no centro da cidade.
De acordo com Paula Cristina Padovani Micelli, responsável pelo departamento jurídico da Fast Shop, a busca ocorrida na loja foi "mero engano". De acordo com nota divulgada pela Fast Shop, "a empresa objeto da busca NSCA Ind. Com. Exp. E Imp. Ltda., de propriedade de Antônio Carlos Piva de Albuquerque, tinha sido no passado, locatária do atual endereço ocupado pela loja da Fast Shop, não existindo qualquer ligação entre os produtos e proprietários das mesmas".
Agentes da Receita Federal disseram que foram apreendidos na Daslu pedidos de compra, livros contábeis, notas fiscais, registros em papel de movimentações financeiras, notas de entrada e saída de mercadoria e primeiras vias de notas fiscais.
Um agente comentou que a PF queria saber porque a loja reteve tantas primeiras vias desse tipo, quando estas deveriam ser obrigatoriamente entregues aos clientes.
O objetivo da operação é apurar subfaturamento de mercadorias importadas e a conseqüente sonegação de tributos de importação e de IPI, imposto sobre produtos industrializados.
A nova sede da Daslu é um prédio de quatro andares de 17 mil metros quadrados localizado junto à Marginal Pinheiros. A loja, inaugurada em 8 de junho, reúne as principais marcas de luxo do mundo, como Chanel, Prada e Armani, além de comercializar outros produtos de alto padrão, como helicópteros, lanchas e carros importados.