O primeiro-ministro de Israel vive um domingo que pode mudar a sua vida política e definir os rumos de seu plano de retirar da Faixa de Gaza os assentamentos judeus, a fim de isolar de vez os palestinos. Sharon levou a decisão ao ninho de seu próprio partido, o Likud, onde ele enfrenta certas resistências dos conservadores. Decidido a não mudar de idéia, especialistas dizem que Sharon pode até renunciar caso não consiga concretizar seu plano.
Uma triste coincidência aconteceu nesta manhã, enquanto os membros do Likud votam o plano de Sharon. Dois palestinos mataram cinco israelenses, uma mãe e seus quatro filhos, em uma estrada de acesso à Gaza. A dupla foi morta depois por soldados israelenses.
O resultado do referendo sai na madrugada desta segunda-feira (horário de Brasília). O primeiro-ministro já votou na sede do partido, nesta manhã de domingo, acompanhado por dezenas de seguranças. Seu plano é transferir de Gaza para a Cisjordânia 21 assentamentos judeus, o que mudaria completamente a situação político-social na região. Assim, os palestinos da área ficariam isolados de fato e alvos fáceis para revide, caso o Exército israelense decida atacar.
A saída faz parte do Plano de Separação dos palestinos, já endossado pelo presidente dos Estados Unidos, George Bush, e pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair.
Mas Sharon encontra fortes resistências dentro do próprio partido, da ala conservadora, e especialistas dizem que o primeiro-ministro decidiu erroneamente deixar nas mãos de seus aliados a decisão. O referende, caso contrarie sua decisão, pode lhe custar o cargo, pois vai deixá-lo em situação difícil.
Segundo Sharon, Israel não pode mais manter 7.500 colonos na Faixa de Gaza, onde moram mais de 1,2 milhão de palestinos. O preço militar para assegurar a vida desses poucos israelenses é alto demais mesmo para o lider direitista, considerado ''pai'' dos assentamentos nos territórios palestinos ocupados por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e considerados ilegais pela comunidade internacional.
Caso derrotado no referendo, em que 193 mil integrantes do Likud votarão, Sharon tem outras opções. Se não deixar o cargo, poderá desistir do plano ou abrir outro referende, desta vez popular.