Milhares de empregadas domésticas indonésias que trabalham na Malásia são vítimas de abusos físicos e mentais e não recebem os direitos básicos, além de não terem proteção jurídica, denunciou nesta quarta-feira um grupo de direitos humanos.
O grupo Human Rights Watch, com base nos Estados Unidos, disse que muitas empregadas são estupradas ou agredidas, trabalham até 18 horas por dia, sete dias por semana e recebem menos de 25 centavos de dólar por hora.
Nisha Varia, pesquisadora da divisão de direitos das mulheres do grupo, exortou os governos da Indonésia e da Malásia a mudarem suas leis trabalhistas para proteger as empregadas domésticas.
"Estamos especialmente preocupados com a Malásia devido aos problemas sistemáticos. Por exemplo, a exclusão de trabalhadores domésticos de qualquer tipo de proteção legal é de grande preocupação", disse ela em entrevista coletiva, lembrando que no ano passado, 18.000 trabalhadores domésticos abandonaram seus empregadores na Malásia, disse.
A Malásia tem cerca de 240.000 empregadas domésticas, mais de 90 por cento vindas da Indonésia, disse o Human Rights Watch. O restante vem das Filipinas, Camboja e Sri Lanka.
O grupo fez cerca de 115 entrevistas com domésticas, autoridades e outras pessoas na Indonésia e na Malásia.
O ministro do interior da Malásia descartou mudanças legais. "Nenhum país tem este tipo de lei. Empregadas são muito pessoais e são parte da família. A lei normal é suficiente se houver relato de abuso", disse à Reuters. "Menos de um por cento das empregadas sofre abuso físico", acrescentou.
A população da Malásia, de 25 milhões de pessoas, é mais rica do que as dos vizinhos Indonésia, Filipinas e Tailândia, e o país atrai milhares de trabalhadores estrangeiros por ano.
Um recente escândalo levou o tema da empregadas da Indonésia às manchetes, quando jornais publicaram a foto de uma adolescente supostamente queimada com ferro quente e água escaldante por sua patroa da Malásia.