Rio de Janeiro, 16 de Setembro de 2026

Dólar volta a subir e retoma maior nível em 13 meses, a R$3,143

Quarta, 12 de Maio de 2004 às 14:19, por: CdB

Após registrar a maior queda em 9 meses na véspera, o dólar voltou a subir com intensidade nesta quarta-feira e retomou o maior nível desde o dia 14 de abril de 2003, a 3,143 reais.

A sessão foi marcada por forte volatilidade em meio a baixa liquidez e, segundo profissionais, a piora do câmbio foi consequência da piora dos ativos globais, diante do retorno das especulações sobre o rumo do juro básico norte-americano e a forte alta dos preços internacionais do petróleo.

O resgate cambial de 707 milhões de dólares que o Banco Central promove nesta quinta-feira e decisão da autoridade monetária de não rolar o próximo vencimento cambial --2,065 bilhões de dólares, na semana que vem --também foram citados como motivos de pressão sobre as cotações.

A moeda norte-americana encerrou em alta de 2,18 por cento em relação à véspera, quando havia caído 2,13 por cento em um dia de recuperação nos mercados globais. Entre a máxima e mínima do dia, o valor do dólar oscilou 8 centavos de real.

"Além das preocupações com a China e o aumento da taxa de juro norte-americana, agora ainda tem o petróleo para aumentar o risco global. Com isso está havendo uma realocação de ativos generalizada e o Brasil está dentro deste contexto mundial", resumiu Luiz Fernando Romano, diretor de tesouraria do Banco Brascan no Rio de Janeiro.

As bolsas de valores dos Estados Unidos operavam em queda nesta tarde, pressionadas pela forte alta dos preços do petróleo e por preocupações geopolíticas.

O Dow Jones, que reúne as ações mais líquidas do mercado norte-americano, caía 0,11 por cento, enquanto o índice tecnológico Nasdaq perdia 0,60 por cento.

Os preços do petróleo bateram o recorde dos últimos 13 anos nesta tarde, voltando ao patamar acima dos 40 dólares o barril. A constante preocupação de que a Opep não possa produzir o suficiente para atender a demanda mundial é o principal motivo da alta nos preços.

Internamente, a Bolsa de Valores de São Paulo seguia a tendência mundial caía 0,6 por cento, enquanto o prêmio de risco Brasil, medido pelo Banco JP Morgan, operava praticamente estável, com queda de 1 ponto para 758 pontos-básicos acima dos títulos norte-americanos.

O responsável pela área de câmbio de um grande banco nacional em São Paulo disse que o mercado está em clima de cautela diante da enxurrada de indicadores da economia norte-americana que será divulgada nos próximos dias.

"Tem um monte de indicadores para sair lá fora nos próximos dias e o mercado, como sempre, já começa a especular antes", disse.

Entre quinta e sexta-feira os Estados Unidos divulgam dados de inflação, pedidos de auxílio-desemprego e de vendas no comércio.

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