O dólar operava em alta de mais de 2% nos primeiros negócios desta quinta-feira, e era cotado acima do patamar de R$ 1,821 pela primeira vez desde 24 de janeiro. Às 12h27, a moeda norte-americana subia 3,72%, a R$ 1,88. No exterior, o cenário se mantinha turbulento. O risco Brasil subia 4 pontos, os futuros de Wall Street exibiam forte queda e moedas de outros países emergentes, como Turquia e África do Sul, também tinham desempenho muito ruim frente ao dólar.
Nos EUA, as bolsas operavam em baixa nesta quinta-feira, com a queda menor que a esperada no número de pedidos de seguro-desemprego na semana passada e as preocupações sobre o setor financeiro continuam a pesar sobre os negócios. Às 11h35 (em Brasília), a Bolsa Mercantil de Nova York (Nyse, na sigla em inglês) trabalhava em baixa, com perdas de 0,99% no índice Dow Jones Industrial Average, que ia para 11.157,13 pontos, e o S&P 500 caía 1,15%, para 1.217,88 pontos. A Bolsa Nasdaq operava em baixa de 0,78%, indo para 2.211,29 pontos.
O Departamento do Trabalho informou, em nota nesta quinta-feira, que o número de pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA caiu em 6 mil na semana encerrada no último dia 6, totalizando 445 mil solicitações iniciais do benefício. Segundo analistas, resultados acima de 400 mil mil indicam desaquecimento econômico. Na mesma semana de 2007, o total estava em 322 mil.
O mercado de trabalho nos EUA vem sendo motivo de preocupação para analistas e investidores, com oito meses consecutivos já de eliminação de vagas. No mês passado, a economia americana eliminou 84 mil postos de trabalho; a taxa de desemprego, por sua vez, subiu de 5,7% em julho para 6,1% no mês passado, a maior desde setembro de 2003.
As ações do Lehman Brothers caíam nesta manhã mais de 40%, com as preocupações sobre a situação do banco norte-americano de investimentos. Na véspera, o Lehman anunciou um plano de reestruturação, o que fez as ações do banco mostrarem alguma recuperação (depois de já terem caído mais de 40% na terça-feira). Mas as preocupações sobre a capacidade do banco de obter acesso a linhas de crédito, além do prejuízo de US$ 3,9 bilhões previsto para o terceiro trimestre fiscal (encerrado em agosto). Os resultados devem ser divulgados no próximo dia 18.
As ações do banco Washington Mutual também registravam perdas, com o anúncio da troca da chefia da instituição (o executivo-chefe Kerry Killinger foi substituído por Alan Fishman). Além disso, o diário econômico norte-americano The Wall Street Journal informou que as autoridades reguladoras devem investigar casos de fraude fiscal envolvendo fundos hedge (tipo de fundo agressivo que aplica em qualquer tipo de ativo) e bancos como o Citigroup e o Merrill Lynch.
O Departamento do Comércio, por sua vez, informou que o déficit comercial dos EUA cresceu 5,7% em julho, chegando a US$ 62,2 bilhões, maior desde março de 2007. As importações de petróleo bateram um novo recorde, chegando a US$ 42,64 bilhões, contra US$ 34,85 bilhões em junho. Os dados sobre a balança comercial de agosto devem ser divulgados no dia 10 de outubro.