As medidas anunciadas esta semana pelo governo para desonerar as exportações não terão efeito de frear a queda do dólar, avaliou na sexta-feira, em entrevista à Agência Brasil, o professor de Comércio Exterior da Trevisan Escola de Negócios, Olavo Furtado. As medidas entram em vigor na próxima segunda-feira.
Ele analisou, porém, que as medidas são positivas “dentro do ambiente que é possível ser feito”. Para conter a desvalorização do dólar, o governo eliminou a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de câmbio dos exportadores e o fim da cobertura cambial nas operações externas, que permitirá a quem exporta manter o total da receita fora do país. Antes, só 30% dos recursos obtidos com as exportações podiam ser mantidos no exterior.
Olavo Furtado afirmou que o fenômeno do dólar depreciado não é novo. Ele disse que o quadro externo também tem seu peso sobre o dólar e acrescentou que, embora o Brasil seja principalmente um exportador de commodites (produtos agrícolas e minerais), a recessão norte-americana acabará tendo reflexos sobre o comércio exterior brasileiro no médio prazo.
Furtado afirmou que a possibilidade do Brasil continuar atraindo capital estrangeiro não vai diminuir a competitividade do setor exportador nacional. Ao contrário, poderá servir como incentivo para uma presença maior dos produtos nacionais no exterior e para a internacionalização das empresas brasileiras.
— Tudo que facilita a competição é bem vindo. Eu sou um defensor do livre mercado —, disse.
O professor lembrou que o governo federal tem se preocupado em criar condições para que a indústria nacional consiga levar seus produtos para o mercado internacional.
— É uma regra que independe de partidos políticos —, destacou.
Olavo Furtado salientou que, para estimular as exportações, deve-se dar prioridade à questão da infra-estrutura.
— Precisamos criar condições para que tudo que é produzido nesse país chegue ao porto, ao aeroporto. Ou seja, que a produção seja escoada —, alertou.
Ele reconhece que, no entanto, questões de infra-estrutura não se resolvem a curto prazo.
— Não é com um pacote imediato. Na realidade, é com um programa de desenvolvimento, que eu acho que vem de encontro com o que está por trás do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e outras medidas que o governo tem tomado —, disse.
Para Furtado, outra forma de incentivar as exportações é desregulamentar o comércio exterior. Ele disse que a burocracia no setor impede que os pequenos e médios empresários tenham acesso ao mercado externo.
— Quanto mais você criar condições de acesso ao mercado externo, vai ter uma inserção maior de empresas. E, com certeza, isso diminui a dependência de fatores como o dólar —, conclui.
Dólar também sofre pressão do mercado externo, avalia economista
As medidas anunciadas esta semana pelo governo para desonerar as exportações não terão efeito de frear a queda do dólar, avaliou na sexta-feira, em entrevista à Agência Brasil, o professor de Comércio Exterior da Trevisan Escola de Negócios, Olavo Furtado. As medidas entram em vigor na próxima segunda-feira. (Leia Mais)
Sábado, 15 de Março de 2008 às 10:54, por: CdB