O dólar avançava quase 1,5% ante o real nesta segunda-feira, reagindo a temores de que a campanha pelo reequilíbrio das contas públicas brasileiras sofra mais um impasse.
O dólar havia recuado quase 1,5% na sexta-feira e se aproximado novamente de R$ 3,50
Por Redação, com Reuters - de São Paulo:
O dólar avançava quase 1,5% ante o real nesta segunda-feira, reagindo a temores de que a campanha pelo reequilíbrio das contas públicas brasileiras sofra mais um impasse após notícias sugerirem que o ministro do Planejamento, Romero Jucá, teria aventado um pacto contra a operação Lava Jato.
Às 10:08, o dólar avançava 1,37%, a R$ 3,5668 na venda, após atingir R$ 3,5720 na máxima desta sessão
Às 10:08, o dólar avançava 1,37%, a R$ 3,5668 na venda, após atingir R$ 3,5720 na máxima desta sessão. O dólar havia recuado quase 1,5% na sexta-feira e se aproximado novamente de R$ 3,50. O dólar futuro subia por volta de 1,3%.
- A política continua falando mais alto do que a economia. A oposição vai cair matando no Congresso e existe a possibilidade concreta de (Jucá) ser afastado - disse o operador da corretora Ativa Arlindo Sá.
- Perder um soldado já na largada seria muito ruim para a credibilidade desse governo, ainda mais por acusações de obstrução de Justiça - acrescentou.
O ministro sugeriu em conversas gravadas de forma oculta com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em março, que uma mudança no governo federal resultaria em pacto para "estancar a sangria" da operação Lava Jato, que investiga ambos, informou um jornal de ultradireita de São Paulo.
Nesta manhã, Jucá negou em entrevista à rádio CBN que tenha sugerido um acordo para deter o progresso das investigações de corrupção. Jucá é um dos principal interlocutores do governo do presidente interino Michel Temer com o Congresso e está encarregado de buscar apoio a medidas dolorosas para reduzir gastos e aumentar impostos.
Está marcada para esta tarde votação na Comissão Mista do Orçamento a nova projeção de déficit primário deste ano, no primeiro desafio político no Congresso Nacional do governo interino de Michel Temer.
Na note de sexta-feira, o governo anunciou que pedirá ao Congresso autorização para fechar 2016 com déficit primário recorde de R$ 170,5 bilhões. A proposta inclui o desbloqueio de R$ 21,2 bilhões em contingenciamentos anunciados na gestão da presidenta Dilma Rousseff.
Embora o número fosse em certa medida esperado pelo mercado, alguns operadores se decepcionaram com a falta de anúncio de medidas concretas para reduzir o rombo.
"O novo governo Temer precisa alcançar um equilíbrio delicado, anunciando novas medidas e ao mesmo tempo assegurando apoio no Congresso", escreveram analistas do banco JPMorgan em nota a clientes. "O governo precisa demonstrar progresso constante ou corre o risco de frustrar as expectativas".
O Banco Central ainda não anunciou para esta sessão qualquer intervenção cambial, mantendo-se ausente do mercado pela terceira sessão seguida.
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