O dólar comercial mantém na retomada dos negócios a trajetória de alta. A moeda norte-americana é negociada a R$ 2,876, com valorização de 0,52%, próxima à cotação máxima do dia. O mercado se anima com a queda de 4,95% do risco-país. O indicador, que mede a diferença de remuneração paga pelos títulos do Tesouro norte-americano, considerados os mais seguros do mundo, e os brasileiros, recua pela primeira vez em mais de dois anos para menos de 700 pontos. Está em 690 pontos O C-Bond, principal título da dívida externa do país, tem alta de 0,54% e é negociado a 92,813% do valor de face, uma nova cotação recorde. Segundo operadores, o volume de negócios no câmbio é reduzido mas o preço relativamente baixo do dólar continua atraindo compradores. Entretanto, a tendência para a moeda norte-americana só deve ser definida após a próxima quarta-feira, quando sai a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) sobre os juros. Esse é o assunto que concentra atenções nesta semana. Embora não haja consenso sobre o assunto, a maior parte dos analistas e economistas defende um corte da Selic, a taxa básica de juros da economia, que está atualmente em 26,5% ao ano. Até os bancos, que são o setor que mais lucra com as altas taxas de juros praticadas no país, estão defendendo uma redução. Nesta segunda-feira, o presidente da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), Gabriel Jorge Ferreira, afirmou desejar que os juros caiam. - Operar com juros baixos é bom para o país, para a sociedade e para os bancos - frisou. Captações Apesar de as empresas que têm compromissos a saldar em dólares estarem pressionando as cotações, a perspectiva de entrada dos recursos captados por empresas brasileiras no exterior deve ajudar a derrubar a moeda norte-americana. Espera-se que as captações de companhias como Bradesco, Votorantim, BankBoston, Safra e Usiminas comecem a entrar no mercado nos próximos dias. As recentes quedas do risco-país significam que as empresas brasileiras encontram melhores condições (leia-se juros menores) para obter empréstimos lá fora. O dólar comercial futuro (julho) sobe 0,52%, para R$ 2,876. O turismo cai 1%, para R$ 2,95, e o paralelo permanece estável em R$ 3,04.
Dólar sobe, mas risco-país despenca para menos de 700 pontos
Segunda, 16 de Junho de 2003 às 12:44, por: CdB