O dólar fechou em alta de mais de 3% frente ao real nesta terça-feira, em sessão de forte volatilidade e com um movimento de saída de recursos apesar do bom humor nos principais mercados acionários globais.
Analistas também citaram uma pressão especulativa nos mercados futuros, o que impulsionou a cotação da moeda norte-americana, principalmente numa tarde de baixo volume de negócios.
O dólar subiu 3,15%, a 2,392 reais. Durante a sessão, a divisa variou de 2,299 a 2,421 reais.
Nos primeiros negócios do dia, a moeda norte-americana chegou a cair quase 1%, mas ainda na parte da manhã inverteu a tendência e passou a operar em forte alta.
- Teve uma saída que pode justificar um pouco essa alta, que também está muito calcada no mercado futuro - afirmou Luis Piason, gerente de operações de câmbio da corretora Concórdia.
Ele ressaltou que o baixo volume de negócios ajudou a amplificar as cotações, que ignoraram o otimismo observado nos mercados internacionais.
O principal índice da Bovespa e as bolsas de valores norte-americanas subiam perto de 2% no final da tarde. Frente a uma cesta com as principais moedas globais, o dólar recuava 0,5%.
Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper no Rio de Janeiro, também afirmou que uma saída de recursos impulsionou o dólar frente ao real, e alertou que a ausência de atuações do Banco Central no mercado à vista pode ter motivado um movimento especulativo.
- O BC tem uma visão mais ampla do mercado e, se não operou hoje, é porque pode se tratar de uma especulaçao no mercado futuro (de dólar)... mas na minha visão o que temos é algum fluxo de saída - disse.
Para Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora de Câmbio, o principal combustível para a alta do dólar nesta sessão foram os movimentos especulativos no mercado futuro.
- É uma reação tentando forçar o BC a entrar com os leilões de swap (cambial tradicional) - afirmou Nehme.
Segundo os últimos dados da BM&F, os estrangeiros detinham mais de 12 bilhões de dólares em posições líquidas compradas em contratos derivativos cambiais, que funcionam como uma forte aposta contra o real.
O Banco Central anunciou que ofertará ao mercado na quarta-feira até 2 bilhões de dólares em leilão para financiamento do comércio exterior.