O dólar acumulou alta de 31% frente ao real em 2008, interrompendo a série de quedas anuais apresentada desde 2003, por conta da crise que muitos classificaram como a pior desde a Grande Depressão.
Em relação à menor cotação do ano, de 1,557 reais vista em 1o de agosto, o avanço do dólar é ainda mais expressivo e beira 50%.
Apesar de reconhecerem que a desvalorização do real foi significativa, analistas ressalvam que, considerando o forte avanço da moeda brasileira nos últimos cinco anos, o desempenho de 2008 não deixou também de representar um ajuste.
Para 2009, as perspectivas são um pouco mais otimistas.
O último levantamento feito pelo Banco Central junto ao mercado, no relatório Focus, mostra previsões de que o dólar encerre o próximo ano em 2,25 reais.
"Esse pânico que nós vimos... especialmente no segundo semestre, nós esperamos que não volte. Todo o arsenal dos BCs já foi posto e aparentemente surtiu resultado. A tendência é de que os mercados se acomodem e isso também passa pela taxa de câmbio", avaliou Luis Piason, gerente de operações de câmbio da corretora Concórdia.
A tendência de estabilização já se reflete na desaceleração do ritmo de alta do dólar frente ao real nos últimos meses.
Enquanto em setembro, mês do agravamento da crise com o colapso do Lehman Brothers, a divisa norte-americana saltou mais de 16%, a alta foi reduzida para menos de 1% em dezembro.
Isso não faz com que os analistas descartem que a volatilidade, que já assombrou o mercado de câmbio nos últimos meses, reapareça no início de 2009.