O dólar fechou em alta nesta terça-feira, apesar das atuações do Banco Central, seguindo o pessimismo global diante das evidências de recessão.
A moeda norte-americana subiu 2,06%, a 2,325 reais. Em meio à forte volatilidade do mercado nas últimas semanas, o dólar acumula alta de 7,6% no mês e de mais de 30% no ano.
- O sentimento continua pessimista - afirmou Luis Piason, gerente de operações de câmbio da Corretora Concórdia.
- O panorama continua nublado, e temos pressão de saída (de recursos)... independentemente dos mercados lá de fora - disse.
Enquanto o mercado de câmbio encerrava os negócios, a Bovespa perdia quase 4% com perspectivas negativas sobre a economia mundial. Em Nova York, o principais índices acionários também operavam no vermelho depois de uma tentativa de alta.
Segundo Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, as condições de crédito em moeda estrangeira, principalmente para exportadores, estão melhorando. "Mas, por outro lado, a parte de bolsas continua muito frágil."
- A cada balanço (corporativo ruim) que se publica, não adianta, é investidor externo vendendo aqui para socorrer seu caixa lá fora - afirmou Arruda.
Nesta sessão, o Banco Central realizou três operações no mercado de câmbio. Na primeira, vendeu 1,155 bilhão de dólares em leilão voltado para incentivar o financiamento às exportações.
Segundo os gerentes, esses leilões têm ajudado a levar a liquidez onde é necessário, evitando um empoçamento dos recursos nas instituições financeiras.
O BC realizou ainda dois leilões de swap cambial tradicional, negociando um total equivalente a quase 1,8 bilhão de dólares.
Na véspera, o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que as atuações no mercado de câmbio somavam 46 bilhões de dólares de meados de setembro até a última sexta-feira.