O dólar voltou a disparar nesta sexta-feira, apesar da atuação do Banco Central, seguindo a deterioração das principais bolsas de valores com temores sobre os desdobramentos da crise financeira.
A moeda norte-americana saltou 5,58%, a 2,326 reais. A divisa, que subiu 13,69% nesta semana, acumula alta de 22% em outubro, voltando aos patamares registrados há mais de dois anos.
- O mercado está bem ruim, e não tem muita coisa de novo - resumiu Luis Piason, gerente de operações de câmbio da Corretora Concórdia, lembrando que a cautela dos investidores antes do final do semana esvaziou a sessão. Os últimos dados disponibilizados da Bolsa de Mercadorias & Futuros mostravam um volume inferior a 2 bilhões de dólares.
Os ministros das Finanças e autoridades do G7 (grupo de sete países mais industrializados do mundo) estava reunidos nesta sexta-feira para debater formas de combater coordenadamente a crise financeira global. No final de semana, o Fundo Monetário Internacional discutirá as turbulências dos mercados na sua reunião anual.
O Banco Central realizou nesta sexta-feira três leilões de venda de dólares no mercado à vista, procurando derrubar a cotação do dólar com a injeção direta da moeda norte-americana no mercado. No último leilão, anunciado após as 16h, a autoridade monetária definiu a taxa de corte a 2,3180 reais.
O BC também realizou um leilão de swap cambial tradicional, vendendo 11.940 contratos com volume equivalente à 589 milhões de dólares. Tais intervenções, no entanto, não foram o suficiente para compensar os péssimos desempenhos das bolsas.
- O BC atuou mas não adiantou muita coisa - afirmou Piason. "Ontem, ele conseguiu segurar um pouco (a cotação do dólar) mas hoje o mercado estava muito ruim."
As incertezas sobre o futuro da economia mundial derreteram durante o dia os principais índices acionários globais.
Mas no final, após o encerramento dos negócios com o câmbio, Dow Jones e S&P 500 fecharam em queda de "apenas" pouco mais de 1%, enquanto o Nasdaq conseguiu terminar no azul. Já a Bovespa caiu quase 4%, a sétima queda consecutiva.
- O mercado continua irracional, continua trabalhando com pânico - argumentou Piason, explicando que os mercados derivativos futuros de dólar ajudam a pressionar ainda mais a cotação do dólar à vista.
Segundo o gerente, os agentes compram dólares no mercado futuro para se protegerem de uma eventual alta, pressionando a cotação no mercado derivativo que por sua vez se reflete na cotação à vista.
- É uma retroalimentação - completou Piason.
De acordo com os últimos dados atualizados da Bolsa de Mercadorias & Futuros, os investidores estrangeiros possuíam posição comprada de aproximadamente 5 bilhões de dólares, enquanto as instituições nacionais possuiam mais de 6 bilhões de dólares nestes tipo de contratos.