Rio de Janeiro, 23 de Abril de 2026

Dólar recua em dia de queda do risco-país

Sexta, 10 de Fevereiro de 2006 às 10:30, por: CdB

O dólar recuava nesta sexta-feira e se mantinha perto do menor nível desde abril de 2001, acompanhando o forte declínio do risco Brasil. Às 11h38, a divisa norte-americana era vendida a R$ 2,155, com queda de 0,74%. No mesmo horário, o dólar era vendido a R$ 2,1540 na roda de dólar pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros. A cotação mínima até o momento foi de R$ 2,153.

A notícia de que o Brasil está recomprando os títulos da dívida externa no mercado contribuiu para a melhora da percepção de risco do país, disseram analistas, e isso influenciava a apreciação do real. Na véspera, o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, disse que o programa de recompra tem como alvo preferencial os títulos com vencimento até 2010 e bônus Bradies. O estoque em mercado desses títulos somam entre US$ 16 bilhões a US$ 20 bilhões.

Nesta manhã, o risco-país, medido pelo banco JP Morgan, caía 33 pontos, para 224 pontos-básicos sobre os Treasuries.

- Muita gente achava que o dólar iria subir, mas ele (Tesouro) não disse que vai recomprar todos os US$ 20 bilhões e isso vai ser ao longo do ano todo. É uma pressão no câmbio, mas não uma grande pressão - explicou o gerente de câmbio de um banco nacional, que não quis ser identificado.

Para a recompra, o governo irá utilizar recursos das reservas internacionais, o que poderia sinalizar um reforço nas compras de dólar no mercado à vista. O diretor de Política Monetária do Banco Central, Rodrigo Azevedo, negou, no entanto, na noite de quinta-feira, que o programa de recompra de dívida irá interferir no programa de recomposição das reservas. Mas os investidores estão de olho no resultado positivo do programa de recompra de dívida no médio e longo prazo.

- Isso melhora vários outros indicadores, o que faz ser positivo no médio e longo prazo e o mercado faz o preço pensando no futuro. Agora, se o BC acelerar a compra de pronto (dólar à vista), o que é possível, aí sim o mercado vai segurar o dólar - acrescentou o gerente.

De acordo com o operador de câmbio da corretora Didier Levy Júlio César Vogeler, a leitura do mercado é de que o programa de recompra pode facilitar a obtenção do grau de investimento do Brasil pelas agências de classificação de risco.

- Isso vai melhorar o perfil dos títulos lá fora, o risco desaba... se sair mesmo (o grau de investimento), aí o dólar rapidamente vai para R$ 2 - disse ele.

O operador explicou, porém, que há um suporte para o dólar no mercado em 2,150 reais e, quando a cotação se aproxima deste valor, as tesourarias optam por comprar um pouco:

- Quem está vendido em algum momento vai dar uma zerada, então o pessoal respeita o suporte.

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