O dólar registrava leve baixa nesta quarta-feira pela quinta sessão consecutiva, enquanto o mercado seguia de perto o cenário externo e as expectativas em torno dos juros norte-americanos. Às 11h20, o dólar era vendido a R$ 2,119, em declínio de 0,33%. Desde a semana passada, o principal foco de atenção do mercado é a possibilidade de os juros nos Estados Unidos, e também na Europa e Japão, subirem mais. Um aperto monetário mais forte nas principais economias poderia afastar os investidores estrangeiros dos ativos de países emergentes.
Na terça-feira, uma consultoria norte-americana indicou em relatório a possibilidade de o Federal Reserve estar perto do fim do ciclo de aperto monetário. Dados fracos divulgados na véspera reforçaram essa perspectiva de que os juros nos EUA não devem subir muito mais. O rendimento pago pelos títulos do Tesouro norte-americano caiu na terça-feira e trouxe tranquilidade para o mercado doméstico. Mas os rendimentos dos Treasuries voltavam a subir nesta quarta-feira.
- Embora os dados de ontem tenham apontado a possibilidade de interrupção após mais uma ou duas altas, não foram suficientes para firmar um rumo. Por enquanto é cautela, observar, se os dados apontarem mesmo interrupção do ciclo de aperto, aí os ativos domésticos, o real, retomam a tendência de valorização com mais força - apontou Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, acrescentando que o mercado aguarda a divulgação de outros dados esta semana.
A diretora da AGK destacou, porém, que o fluxo de ingresso de recursos no mercado brasileiro continua elevado, ajudando o real a se manter firme frente ao dólar. Segundo ela, a expectativa de uma entrada forte de recursos na véspera pode ter feito o Banco Central comprar um pouco mais de dólares para absorver parte dessa liquidez. No leilão de compra no mercado à vista da terça-feira, o BC aceitou 20 propostas. Mas há seis sessões a autoridade monetária não realiza o leilão de swap cambial reverso.
O diretor de câmbio da corretora Novação, Mário Battistel, citou ainda a valorização de outras moedas em relação ao dólar, com destaque para o euro, que contribuía para a apreciação do real.