O dólar fechou em queda pela segunda sessão consecutiva nesta terça-feira, aproveitando a relativa tranquilidade dos mercados acionários e medidas do Banco Central para devolver parte das recentes altas.
A moeda norte-americana perdeu 2,38%, a 2,095 real. Na semana, a divisa já acumula baixa de 9,93%, mas ainda avança quase 10% neste mês.
- O mercado ainda continua preocupante, mas está um pouco mais tranquilo. Pelo menos, agora o pessoal começou a trabalhar com algum fundamento, precificando os ativos - afirmou Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio do Banco Paulista.
Segundo o diretor, o aumento da confiança dos investidores com os planos coordenados dos principais governos mundiais para combater a crise está abrindo espaço para o ajuste do dólar no mercado doméstico.
Nesta terça-feira o governo dos Estados Unidos anunciou as primeiras iniciativas para injetar recursos nos bancos, seguindo medidas similares na Europa, o que elevou os ânimos dos investidores.
- (A recente valorização do dólar) foi muito mais um ataque irracional do que realmente uma precificação com algum fundamento - ressaltou Rodrigues, explicando que o ajuste do dólar deve ocorrer de forma mais rápida do que nas bolsas.
Na última quarta-feira, o dólar chegou a atingir 2,530 reais, o que representou uma alta de mais de 60% frente ao fechamento de 1° de agosto.
No fechamento do mercado cambial no país, o índice Dow Jones operava em queda de cerca de 1% em Nova York, enquanto a Bovespa apresentava oscilações perto da estabilidade.
Mas Rodrigues ponderou que qualquer estresse externo pode novamente impulsionar a moeda norte-americana frente ao real.
O Banco Central realizou nesta sessão mais um leilão de venda de dólares no mercado à vista e um leilão de swap cambial, no qual vendeu a totalidade dos contratos oferecidos. O BC anunciou ainda que realizará um leilão de venda de dólares com compromisso de recompra na quarta-feira.
A autoridade monetária vem atuando diariamente para combater os problemas de liquidez, tanto em reais quanto em dólares, derivados da crise internacional de crédito.
- O governo vem agindo de forma bem correta. A falta de liquidez lá fora... empoçou a liquidez nos grandes bancos aqui dentro - afirmou o diretor, referindo-se principalmente à falta de linhas de créditos em dólares para exportadores.