Rio de Janeiro, 09 de Maio de 2026

Dólar provoca um aumento geral de preços em julho

A recente alta do dólar começa a contaminar os preços ao consumidor e a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) em julho já é a maior em dois anos. Leia mais

Quarta, 31 de Julho de 2002 às 06:54, por: CdB

A recente alta do dólar começa a contaminar os preços ao consumidor e a inflação medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) em julho já é a maior em dois anos. A FGV (Fundação Getúlio Vargas) apurou alta de 1,95% no IGP-M deste mês, o maior desde agosto de 2000, quando a inflação foi de 2,39%. Em junho, o IGP-M havia registrado alta de 1,54% nos preços. O índice, calculado com base nos preços coletados de 21 de junho a 20 deste mês, é o primeiro fechado de julho e apura a alta dos preços ainda no atacado. Até o mês passado, a alta do câmbio ditava apenas os preços no atacado. Agora já começa a apresentar pressão nos preços ao consumidor, que mais que dobraram entre junho e julho: pularam de 0,39% para 0,90%. Embora a maior parte do aumento dos preços no atacado seja resultado ao reajuste de tarifas de serviços públicos, já se começa a perceber um repasse da alta do câmbio do atacado para o varejo. O pão francês, por exemplo, subiu 2,67% em julho. O óleo de soja teve alta de 9,46%. Os combustíveis, também influenciados pelo dólar, tiveram forte alta no mês. A gasolina subiu 1,60% e o gás de cozinha, 3,54% para o consumidor. No atacado, pesaram as altas de 4,35% do óleo diesel e 7,81% dos demais óleos combustíveis. Segundo o economista Salomão Quadros, coordenador de análise econômica da FGV, o IPC poderia estar ainda maior caso a economia estivesse mais aquecida. A razão é que, com a queda na renda, os comerciantes ainda não sentiram espaço para repassar seus custos para o consumidor. As tarifas pesaram no bolso do consumidor em julho. O maior vilão foi à telefonia fixa, que subiu 9,45%, seguida pela energia elétrica, que teve alta de 2,79% e o plano de saúde, que teve alta de 3,23%. No ano, o IGP-M já acumula 5,5% e nos últimos 12 meses, a taxa chega a 9,99%. O IGP-M é o primeiro índice fechado de inflação de julho, calculado a partir da coleta dos preços ainda no atacado. O IPA (Índice de Preços no Atacado), passou de 2,31% em junho, para 2,66% em julho. Já os preços no varejo, medidos pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor), registrou 0,90% ante variação de 0,39% no mês anterior. O INCC (Índice Nacional do Custo da Construção) apresentou alta de 0,63% em julho ante variação de 0,21% em junho. IGP-M de julho ficou acima das expectativas do mercado. Uma pesquisa semanal divulgada ontem pelo Banco Central feita com 70 instituições financeiras revela que a previsão do mercado para o IGP-M de julho era de 1,55%. Para o IGP-M deste ano, a projeção é de 7,63%, segundo o mercado.

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