O dólar fechou em alta pela quarta sessão consecutiva nesta terça-feira, em sessão de forte volatilidade, seguindo o contínuo mau-humor e as incertezas dos mercados globais.
A moeda norte-americana subiu 5,05%, a 2,311 reais, maior patamar de fechamento desde maio de 2006.
O mercado cambial operou em forte volatilidade refletindo a cautela e as incertezas dos investidores sobre os desdobramentos da crise de crédito global.
- Estamos operando em uma gangorra, os parâmetros técnicos ficam esquecidos e o mercado vai pelo emocional, seguindo as notícias (dos mercados mundiais) - afirmou Luis Piason, gerente do departamento de câmbio da Corretora Concórdia.
Nesta sessão, os mercados acionários globais acompanharam de perto a ata da útlima reunião do Federal Reserve e os comentários do chairman, Ben Bernanke, que apesar de ter sinalizado disposição para cortar a taxa básica de juros, advertiu que os riscos para o crescimento econômico aumentaram.
Nesta tarde, o principal índice da Bovespa perdia 4,8%, acompanhando o deterioramento das bolsas norte-americanas.
- Isso mostra que os países emergentes não estão livres de nada - afirmou o gerente lembrando que o dólar já subiu quase 50% frente à mínima do ano atingida em 1° de agosto.
Na parte da manhã, o Banco Central realizou um leilão de swap cambial tradicional. Foram vendidos 27.400 contratos da oferta total de até 46.050. Os contratos de swap têm o efeito de uma venda futura de dólares pela autoridade monetária.
Segundo Piason, o mercado cambial não enfrenta um forte fluxo de saída de recursos no mercado à vista, mas começa a sentir a escassez de linhas de crédito na moeda norte-americana.
- As medidas do BC são muito recentes - afirmou o gerente, ressaltando acreditar na eficácia de médio prazo das ações da autoridade monetária.
Para combater esta falta de linhas de financiamento, principalmente para exportadores, o BC realizou, na última hora de negócios, um leilão de venda de dólares com compromisso de recompra, com prazo de 90 dias.
- Ele (o BC) está fazendo o papel dele, ele está sentindo o mercado. Ele precisa calibrar a dosagem - completou o gerente.
A operação, no entanto, não surtiu efeito direto na cotação do dólar e, junto com a paralisão dos negócios no mercado futuro após o dólar atingir o limite de alta deste mercado derivativo, secou o volume de negócios do final da sessão.