O dólar fechou em forte alta nesta terça-feira, seguindo o mau-humor dos principais mercados acionários que refletiam as incertezas dos investidores sobre o pacote de ajuda do governo norte-americano.
A moeda norte-americana subiu 2,06%, a 1,829 real. A divisa voltou a subir após recuar nas duas últimas sessões, e já acumula alta de 12,07% no mês de setembro.
O dólar chegou a subir mais de 3% com as incertezas sobre aprovação do plano de ajuda no Congresso norte-americano.
- É essa expectativa do congresso aprovar o plano de ajuda aos bancos... e os democratas estão atrasando (o plano), mas este deve sair - afirmou Mario Battistel, gerente da Fair Corretora.
Nesta terça-feira o chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro, Henry Paulson, uniram forças para pedir maior agilidade ao Congresso na aprovação do pacote de socorro aos mercados financeiros.
Mas democratas pressionavam por outro lado. O senador Christopher Dodd afirmou que os parlamentares precisam limitar os pagamentos do executivo para empresas para não correm o risco de perder eleitores. O senador democrata afirmou ainda que o plano é "inaceitável" na atual forma.
- A alta de hoje é por causa do pacote do Bush - afirmou Reinaldo Bonfim, diretor da Pioneer Corretora, ressaltando que enquanto o plano não for aprovado e melhor explicado os mercados continuarão operando com tensão. "Estamos só acompanhando os movimentos lá de fora."
No entanto, o dólar devolveu parte da forte alta com a melhora do cenário mundial minutos antes do fechamento do mercado cambial - quando os mercados norte-americanos chegaram a operar em território positivo.
- É a gangorra dos mercados - afirmou um funcionário do departamento de câmbio da Corretora Concórdia, afirmando que o novo otimismo reflete uma nova visão dos investidores sobre a disputa no Congresso pelo pacote de ajuda.
O corretora afirmou ainda que a forte queda das commodities, a baixa da Bovespa e a alta mundial do dólar ajudavam a "alavancar" a moeda estrangeira no mercado doméstico.
O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, que chegou a cair mais de 4%, operava em baixa de 2,17%, enquanto que o petróleo fechou em queda de 2,76 dólares.
Durante esta tarde, as operações do pregão eletrônico mercado cambial foram afetadas por um problema técnico na BM&F Bovespa. Segundo a assessoria de imprensa, a bolsa "registrou problemas na rede de sistemas internos, com início às 15h12, afetando negociações de derivativos".