Rio de Janeiro, 04 de Agosto de 2026

Dólar cai mais de 1% com captação e elevação do rating do Brasil

Terça, 03 de Junho de 2003 às 12:43, por: CdB

Na retomada dos negócios na tarde desta terça-feira, o dólar comercial tem desvalorização de 1,17% e é vendido a R$ 2,945, com o mercado animado por uma nova captação do Bradesco no exterior e pela elevação da classificação de risco do Brasil de "estável" para "positivo" pela agência Fitch Atlantic Ratings. A justificativa da Fitch para a medida são os "sinais de que o presidente Lula deverá ter sucesso na construção de um consenso nas políticas econômicas que devem colocar as finanças externas e públicas do país em um caminho sustentável". - O que anima os investidores são as perspectivas positivas. Isso facilita a captação de empresas e bancos, ou seja, o país pode atrair mais investimentos. É nisso que o mercado aposta - afirma Ivo Goés de Bessa, analista da corretora Levycam. O mercado também espera ainda para esta semana uma nova emissão soberana de títulos do país. No final de abril, o governo emitiu US$ 1 bilhão em títulos da dívida externa com vencimento em 2007. O Bradesco, por sua vez, concluiu hoje uma captação de US$ 150 milhões em bônus com vencimento em dezembro de 2004. "Swap" Bessa também destaca que existe uma certa tensão por causa das incertezas sobre a rolagem da dívida do governo em "swap cambial". Na última segunda-feira, o BC realizou uma operação de "swap cambial" e renovou cerca de 80% dos contratos. Paira a dúvida sobre se haverá ou não uma segunda etapa da transação. A não-renovação de uma parcela dos contratos foi anunciada na semana passada pelo governo e foi entendida como intervenção indireta no câmbio, já que os investidores que detêm esses títulos como forma de "hedge" (proteção contra oscilações do dólar) vão procurar outras alternativas para se proteger, como comprar moeda no mercado à vista, o que pode pressionar o dólar. O dólar turismo desaba 0,98%, para R$ 3,020, e o paralelo sobe 0,32%, para R$ 3,10. O comercial futuro (julho) recua 1,32%, para R$ 2,990. O risco Brasil sobe 1,13%, para 805 pontos, e o C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, é negociado a 89,250% do valor de face, com alta de 0,14%. Juros Ao contrário do esperado, o mercado não se abalou com as últimas declarações do vice-presidente, José Alencar, acerca da manutenção da Selic, a taxa básica de juros da economia, em 26,5% ao ano. Na última segunda-feira, Alencar afirmou que os juros altos "matam a economia" e defendeu que, a partir de agora, as decisões nesse campo sejam políticas, porque as decisões técnicas "têm dado errado". Ele também falou, em tom de brincadeira, que a manutenção, no mês passado, da taxa básica em 26,5% ao ano teria sido feita para mostrar que o Banco Central não se rende a pressões políticas. "De pirraça, não baixaram", comentou. No mesmo horário, em Genebra (Suíça), o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse que "ou você tem um BC para combater a inflação ou um BC político". Apesar do desencontro no discurso do governo, os contratos de juros futuros negociados na BM&F têm ligeira queda. Os de julho caem 0,11%, para 26,15%; os de outubro recuam 0,23%, para 25,40%, e os de janeiro caem 0,49%, para 24,26%.

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