O preço do dólar à vista caiu pela quinta vez consecutiva nesta terça-feira e fechou abaixo dos níveis praticados em 2001, quando era vendido por R$ 2,127. A moeda norte-americana fechou na mínima do dia, cotada por R$ 2,135 na compra e R$ 2,137 na venda, com baixa de 0,74%.
Analistas, no entanto, são unânimes em afirmar que se trata de uma tendência a queda do dólar, com uma ou outra alta pontual, devido ao forte ingresso de recursos externos ao país, via exportações e investimentos. Segundo operadores, a expectativa de continuidade dos ingressos de recursos e a atuação fraca do Banco Central têm permitido que o real siga se fortalecendo frente ao dólar.
- O fator principal são os juros domésticos elevados que favorecem a arbitragem, tem também a atuação dos estrangeiros vendendo dólar, a queda do risco, sem esquecer o superávit da balança (comercial) e o fluxo cambial super positivo - disse Júlio César Vogeler, operador de câmbio da corretora Didier Levy.
Nesta manhã, o risco-país, medido pelo banco JP Morgan, recuava 6 pontos, para 225 pontos-básicos sobre os Treasuries. Vogeler acrescentou que os bancos seguem com fortes posições vendidas em dólar, ou seja, apostando que a divisa norte-americana cairá mais.
- E as atuações do Banco Central não estão sendo um remédio para essa queda - disse.
O BC oferece nesta sessão 4.550 contratos de swap cambial reverso, que têm o efeito de uma compra futura de dólares. O resultado dessa operação sai a partir das 14h30.
- Para segurar, só tomando decisões administrativas e fortes - disse o operador.
Segundo ele, o mercado aguarda a decisão sobre uma possível mudança na legislação cambial, de acordo com a proposta apresentada no Senado na semana passada. No front externo, o mercado estará de olho nessa semana no discurso do chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, perante a Câmara dos Deputados norte-americana, disse o gerente de câmbio de um banco nacional, que não quis ser identificado.
Há também a divulgação do índice de preços ao produtor dos Estados Unidos na sexta-feira. Mas os profissionais não descartam um movimento de compra de dólares de algumas tesourarias que estão muito vendidas, aproveitando o declínio acentuado da moeda norte-americana.