Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

Dólar acompanha vaivém externo e fecha em alta de 0,44%

Terça, 16 de Setembro de 2008 às 15:59, por: CdB

 A volatilidade internacional dominou o mercado de câmbio nesta terça-feira. Depois de avançar mais de 2% no momento mais turbulento do dia, o dólar fechou em alta de 0,44%, a 1,820 real.

Em um cenário de nervosismo generalizado por conta do setor financeiro norte-americano, analistas ponderaram que o mercado deixou em segundo plano os fundamentos brasileiros e passou a reagir principalmente às notícias de Wall Street.

- Esse é um dos momentos em que os fundamentos têm um papel menor na avaliação de preços dos ativos - comentaram economistas do banco francês BNP Paribas em relatório.

Em setembro, o dólar já subiu 11,52%.

Apesar da alta, o dia terminou com sensação de alívio por informações de que o Federal Reserve estaria preparando um pacote de socorro para a seguradora AIG, o mais recente alvo da crise de crédito.

As bolsas de valores, que desabaram no começo do dia, subiam no final da tarde em Nova York e em São Paulo. O Fed não quis comentar as especulações.

O volume do mercado, de acordo com dados no site da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), ficou abaixo da média pelo segundo dia seguido, com pouco mais de 1 bilhão de dólares registrados a poucos minutos do fechamento.

Prudência

Essa cautela foi a forma encontrada pelos agentes para reagir ao vaivém no exterior. "O impacto nos negócios é a falta de liquidez", disse Roberto Padovani, economista sênior para a América Latina do banco WestLB Brasil.

Analistas têm citado também a saída de recursos do país, por causa da aversão a risco e da cobertura de prejuízos no exterior, e um aumento das apostas no mercado futuro de câmbio a favor da valorização do dólar diante do real.

- Os fatores que impulsionaram a taxa acima de 1,82 real (desde segunda-feira)... repercutiram movimentos no ambiente da BM&F, e não no mercado de câmbio - defendeu Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, em relatório.

Outro motivo que inibiu os negócios nesta terça-feira foi a expectativa pela reunião do Federal Reserve. O banco central norte-americano anunciou perto do fechamento do mercado de câmbio a manutenção do juro básico dos Estados Unidos em 2,0% ao ano, contrariando as projeções de muitos em Wall Street de um corte.

Cristiano Souza, economista do Banco Real, viu com bons olhos a decisão. "Não é isso (uma redução) que vai salvar o sistema financeiro. Mesmo que o juro caísse, o que o mercado esperava, isso daria uma melhora de cinco minutos".

- O que falta lá é confiança. Isso se resolve, no fundo, com reconhecimento de perdas... infelizmente, talvez, com mais gente quebrando. O mercado tem que resolver suas pendências com ele mesmo - acrescentou.

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