O dólar subia ante o real nesta quarta-feira, num pregão bastante volátil e depois de registrar fortes perdas nas primeiras horas de negócios, com investidores reagindo ao aumento da volatilidade que a medida do governo sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode trazer ao mercado.
A intensa volatilidade trazida ao mercado cambial pela mudança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)
O dólar subia ante o real nesta quarta-feira, num pregão bastante volátil e depois de registrar fortes perdas nas primeiras horas de negócios, com investidores reagindo ao aumento da volatilidade que a medida do governo sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode trazer ao mercado.
O dólar chegou a cair mais de 2% logo após a abertura dos negócios diante da redução a zero da alíquota do IOF para investidores estrangeiros em renda fixa, mas inverteu a tendência e chegou a subir quase 1%.
Ao mesmo tempo em que acreditam que a medida pode reduzir a pressão de alta sobre o dólar no curto prazo, analistas ressaltam que o cenário internacional e fundamentos ruins da economia brasileira devem continuar pesando sobre o câmbio no decorrer do ano.
A moeda norte-americana subia 0,31%, para R$ 2,1364 na venda, chegando na máxima de R$ 2,1496. Na mínima do dia, o dólar foi a R$ 2,0849, com queda de 2% logo no início dos negócios, movimento que perdeu força após a euforia inicial com a medida.
Segundo dados da BM&F, o volume negociado estava em torno de US$ 1 bilhão.
- Embora no curto prazo a medida possa resultar num aumento dos fluxos de entrada, a ausência do IOF provavelmente levará a uma volatilidade maior", informou o banco HSBC em relatório. "Investidores estrangeiros provavelmente ficarão mais dispostos a entrar no Brasil, mas também mais inclinados a tirar investimentos em tempos de aversão ao risco - emendou.
O Banco Barclays destacou ainda que a zeragem da alíquota do IOF pode levar a alguns fluxos de saída, uma vez que certos capitais não estariam deixando o país por causa da taxação de 6%.
A presidente Dilma Rousseff trouxe mais gás ao mercado ao ser questionada se haveria mais ações para segurar o dólar no final desta manhã. Ela respondeu: "Nós não temos medida nenhuma para segurar o dólar, eu queria informar que esse país adota o regime de câmbio flexível".
- Essa aceleração (da alta do dólar) foi por causa da Dilma falando que não tem medida para segurar o dólar. Acho que isso está dando fôlego para essa alta - afirmou o estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno.
- Essa aceleração (da alta do dólar) foi por causa da Dilma falando que não tem medida para segurar o dólar. Acho que isso está dando fôlego para essa alta - afirmou o estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno.
Ao anunciar a mudança no IOF na noite de terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou que a medida visa retirar obstáculos para o ingresso de capital estrangeiro em renda fixa e descartou que haja interesse em combater a alta da inflação via câmbio.
A valorização do dólar tem sido generalizada devido a sinais de recuperação da economia norte-americana, que tem alimentado expectativas de que o Federal Reserve, banco central do país, reduza seu programa de estímulo. Somente em maio, o dólar avançou 7,04% ante o real.
Na terça-feira, o dólar encostou em R$ 2,15 no decorrer do dia, mas anulou a alta a poucos minutos do encerramento da sessão e fechou cotado a R$ 2,1289, já devido a rumores sobre o IOF.
Declarações do diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, ajudaram a impulsionar a alta do dólar na terça-feira.
Real ainda fraco
Agentes do mercado alertavam, no entanto, para a qualidade desses ingressos e para possível aumento da volatilidade no cãmbio devido à medida.
- Os ingressos não serão da qualidade ideal porque deve vir dólar especulativo. Mas quando se tem necessidade não dá para escolher a qualidade. A perspectiva é que agora tenha fluxo, e isso é fundamental - disse o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme.
A estrategista de câmbio da América Latina do RBS, Flavia Cattan-Naslausky, acredita que os fluxos não devem ser suficientes para reverter a tendência de apreciação do dólar e vê a moeda sendo negociada dentro de um intervalo de R$ 2,05 a R$ 2,15.
- Eu acho que a direção continua de um real mais fraco. O Brasil está com uma deterioração nas contas externas - afirmou.
O déficit em transações correntes do Brasil subiu 55 por cento em abril em relação ao mesmo mês do ano passado, fazendo com que o rombo em 12 meses superasse 3 por cento do PIB pela primeira vez em mais de uma década.
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