O encontro definitivo entre as nações ricas e pobres do mundo, que começa nesta segunda-feira, teve início com um comunicado do G-20, grupo de países em desenvolvimento, que espera um “resultado substancial” nas negociações da Rodada Doha deve ser alcançado nas áreas de Apoio Doméstico, Acesso a Mercados e Subsídios à Exportação. Desde sexta-feira, países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) estão reunidos para encontros preparatórios da reunião ministerial que começa nesta terça-feira.
O grupo também afirmou a necessidade dos países desenvolvidos de assumir a responsabilidade na redução dos subsídios agrícolas internos e na melhora do acesso a mercados.
O G-20 e outros grupos de países em desenvolvimento que fazem parte da OMC também divulgaram um comunicado conjunto. No documento, eles afirmam que para que os países em desenvolvimento participem do sistema multilateral de comércio é necessário que a OMC responda às preocupações e necessidades dessas nações. “Principal razão pela qual o mandato de Doha pôs os interesses dos países em desenvolvimento no centro do programa de trabalho”, diz a nota.
Os países também enfatizaram o papel central das negociações agrícolas na Rodada de Doha. E afirmaram que a maioria dos agricultores do mundo encontra-se nos países em desenvolvimento e são estes que mais sofrem com os “subsídios gigantescos que distorcem o comércio e com barreiras que impedem o acesso aos mercados dos países desenvolvidos”.
O grupo se comprometeu ainda a trabalhar construtivamente para que seja possível chagar a um acordo nas modalidades de agricultura até o final da semana. Afirmaram a necessidade de se ter “um processo realmente multilateral, transparente e conduzido de baixo-para-cima”.
Mais sacrifícios
Apesar dos senões à fala do ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, os EUA se disseram dispostos a cortar subsídios agrícolas para permitir a conclusão da Rodada de Doha do comércio global. Novamente, no entanto, cobraram mais sacrifícios das grandes economias emergentes, como Brasil e Índia. Amorim foi mal interpretado ao citar o ministro nazista da Progaganda, Joseph Göebels, para classificar a retórica dos países ricos, de repetir uma mentira milhares de vezes até que ela se torne verdadeira. A redução dos subsídios norte-americanos que distorcem o mercado agrícola é uma das principais exigências dos países desenvolvidos. A reunião de ministros em Genebra é considerada a última chance para concluir o tratado comercial global lançado há sete anos em Doha, no Catar.
– Para que haja um resultado significativo para esta rodada, sabemos que temos de garantir um significativo novo acesso na agricultura, na indústria e nos serviços, e isso é particularmente verdadeiro quando se trata dos interesses dos países em desenvolvimento – disse a representante comercial dos EUA, Susan Schwab, em entrevista coletiva no primeiro dia do evento, que deve durar a semana inteira.
Presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick afirmou a jornalistas que a reunião representa um "agora ou nunca" para a Rodada De Doha, que segundo ele ajudaria os países pobres a prosperarem por meio do comércio. Serão discutidos também os setores industrial e de serviços, nos quais EUA, União Européia e outras economias desenvolvidas esperam obter mais aberturas. O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, disse que esta é a oportunidade "única em uma geração" de promover uma reforma agrícola e abrir mercados.
– Só teremos mais liberalização comercial no futuro, só teremos aumento no padrão de vida para as pessoas do mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, se tomarmos as decisões corretas nesta semana – disse Mandelson a jornalistas.
Para os países em desenvolvimento, cabe às nações ricas assumirem o ônus por tal abertura.
– Os aumentos dos preços do combustível e dos alimentos são uma sombria lembrança da continuidade das desigualdades no comércio agrícola global. Os países desenvolvidos hoje são responsáveis pelas maiores distorções no sistema global de comércio. Numa época de tanto sofrimento entre os membros mais pobres, as nações ricas devem resistir ao protecionismo, devem assumir sua responsabilidade e fazer as mudanças políticas necessárias – disse o ministro egípcio de comércio, Rachid Mohamed Rachid.