As autoridades francesas ocultaram os riscos de testes nucleares feitos na Polinésia na década de 60, apesar de saberem que eram perigosos para a população, segundo um documento militar segredo revelado nesta quarta-feira.
Uma organização antinuclear, o Centro de Documentação e Investigação sobre a Paz e os Conflitos (CDRPC), publica hoje em sua página web o relatório, datado de 1966, assim como extratos de outros 20 textos "achados recentemente".
Os documentos, que em sua "maioria levam impressas as frases 'secreto' ou 'confidencial Defesa'", foram transmitidos às autoridades competentes, que "manipularam as informações para minimizar o impacto" dos testes nucleares, segundo o CDRPC, que pede ao Estado "a abertura de seus arquivos".
A organização também denuncia que "os dados oferecidos pelo Ministério da Defesa em 1998 para a investigação feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) estão longe de refletir o que de fato aconteceu em 1966 a vista dos relatórios da época".
Os documentos revelados se referem aos efeitos dos testes nucleares feitos em 1966 e 1967 no arquipélago de Gambier e em particular na ilha de Mangareva, de 570 habitantes, onde se chegou a medir uma contaminação "142 vezes superior à zona proibida de Chernobil".
Documentos revelam que França mentiu sobre testes nucleares
Quarta, 18 de Maio de 2005 às 03:59, por: CdB