Um relatório secreto do Pentágono preparado em setembro do ano passado concluiu que não havia "nenhuma informação confiável" que indicasse que o Iraque possuía armas químicas ou biológicas. O documento, que foi vazado para a imprensa agora, deve alimentar a polêmica a respeito das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha para atacar o país então governado por Saddam Hussein. O teor do relatório contradiz o que era dito na mesma época pelo secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, que tem autoridade sobre o Pentágono e afirmava que o Iraque havia acumulado grandes estoques de armas químicas e biológicas. Funcionários de alto escalão do Pentágono admitiram que o relatório chegou mesmo a tais conclusões, mas disseram que, na época, não havia presença americana ou internacional no Iraque, e por isso não era possível confirmar as informações. Eles também afirmaram que o relatório não deixa dúvidas de que o regime de Saddam dispunha de tecnologia para produzir as armas. Acredita-se que o documento tenha tido ampla circulação nos altos escalões do governo Bush na época em que os americanos estavam decidindo se atacavam ou não o Iraque. Até agora, as tropas americanas no Iraque não conseguiram encontrar nenhuma evidência que permita concluir que Saddam Hussein de fato tenha acumulado armas de destruição em massa. O novo capítulo da polêmica sobre os documentos que justificaram o ataque ao Iraque está se desenvolvendo ao mesmo tempo que uma equipe de especialistas da ONU chegou ao país para investigar o roubo de materiais da principal instalação nuclear iraquiana após o fim da guerra. O governo americano afirma que suas afirmações sobre as armas de destruição em massa de Saddam ainda serão comprovadas.
Documento revela que Pentágono tinha dúvidas sobre armas de Saddam
Sexta, 06 de Junho de 2003 às 15:38, por: CdB