Em um longa-metragem de 90 minutos, o cineasta João Batista de Andrade conta a história do jornalista Vladimir Herzog, assassinado na prisão em 1975, durante o regime militar. Os depoimentos trazem as lembranças da viúva, Clarice Herzog, e de pessoas que conviveram com Vlado. Em outubro também serão realizadas várias atividades para marcar os 30 anos da morte de Vlado, inclusive um ato inter-religioso na Catedral da Sé, com a participação de um coral de mil vozes.
Para quem viveu ou mesmo para quem não tem a menor idéia dos tempos de violência e tensão da ditadura militar, o filme Vlado - 30 Anos Depois emociona e traz uma compreensão melhor da nossa história. O caráter extremamente pessoal e confessional dos depoimentos do documentário longa-metragem de João Batista de Andrade revela a história do jornalista Vladimir Herzog assassinado na prisão em 1975. A produção é da Oeste Filmes e TAO Produções.
O filme entra em cartaz dia 30 de setembro em São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre. No Rio de Janeiro será exibido a partir do dia 7 de outubro. Em São Paulo haverá uma estréia para convidados no dia 27 de outubro, com a presença de várias pessoas que deram depoimentos para o filme.
O drama dos presos, os choques elétricos, os gritos que vêm das entranhas, o temido capuz preto, a "cadeira do Dragão", as imagens terríveis do DOI-CODI que ficarão para sempre. Cheiros, sensações e sons que acompanham e acompanharão para sempre pessoas que viveram a dura realidade da repressão militar. Tudo isso está no filme ao lado de imagens do culto ecumênico realizado em memória de Vlado na Catedral da Sé (dia 31 de outubro de 1975, com a participação de 8 mil pessoas, num protesto silencioso contra o regime), de depoimentos importantes como as lembranças da mulher, Clarice Herzog, no dia em que ele foi levado, ou o de José Mindlin, explicando que o próprio SNI analisou o currículo de Vlado antes de sua contratação como diretor de Jornalismo da TV Cultura.
João Batista de Andrade diz que o filme é o resgate do que ele não conseguiu filmar na época, além de revelar com mais profundidade porque tudo o que aconteceu continua repercutindo até hoje: "Eu nunca me recuperei do impacto dessa perda. Nós éramos amigos, nossos filhos brincavam juntos. Eu me sentia desarvorado, assustado. Eu que filmava tudo, não filmei nada naquele momento. O clima político era quase irrespirável e eu me sentia impotente, vendo, mais uma vez, a história desabar sobre nós com a sua força destruidora."
Os depoimentos são fortes, surpreendem e envolvem. No documentário falam, entre outros, Clarice Herzog e o filho Ivo, D. Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel, Fernando Morais, José Mindlin, Ruy Ohtake, Clara Sharf, Paulo Markun, Alberto Dines, Sérgio Gomes, Diléia Frate, Mino Carta, João Bosco, Aldir Blanc e Rose Nogueira, entre muitos que compartilham as lembranças embaladas pela dor e pelo medo.
Sinopse
No dia 25 de Outubro de 1975, Vlado (o jornalista Vladmir Herzog) acorda de manhã e se despede da mulher, Clarice, antes de se apresentar ao DOI-CODI, órgão da repressão política do regime militar, para um depoimento. Conversam, Clarice ainda expõe suas dúvidas se ele deve se apresentar: vários amigos, jornalistas estão presos e sabe-se que são torturados. Mas Vlado se recusa a fugir, considerando que é um homem transparente, alheio à clandestinidade e que nada deve temer. No entanto, no fim da tarde do mesmo dia, a família e amigos de Vlado recebem a terrível notícia: Vlado estava morto e, segundo fonte oficial, teria se suicidado na prisão.
A morte de Vlado se dá num momento particularmente tenso da vida brasileira, com o acirramento das lutas internas entre os próprios militares, opondo, de um lado, os generais Geisel e Golbery, no poder, e, de outro, os setores militares comprometidos com a repressão e que se opunham a toda idéia de uma abertura política. No mei