Membros das forças especiais dos EUA agrediram um prisioneiro iraquiano na frente de integrantes da Agência de Inteligência da Defesa (DIA, na sigla em inglês) e depois ameaçaram os agentes para tentar garantir que não contassem nada do que tinham visto, afirmou um documento divulgado no final desta terça-feira.
Uma carta do chefe da DIA para uma importante autoridade da área de inteligência do Pentágono (sede das Forças Armadas norte-americanas), que traz detalhes sobre casos de tortura no Iraque antes desconhecidos, disse que os agentes também viram detentos com marcas de queimaduras e com hematomas.
A carta foi escrita dois meses depois de as fotos de soldados norte-americanos torturando prisioneiros em Abu Ghraib, perto de Bagdá, a capital iraquiana, terem sido divulgadas, e cinco meses depois de os comandantes das Forças Armadas dos EUA terem tomado conhecimento, supostamente pela primeira vez, dos abusos.
O escândalo de Abu Ghraib provocou críticas da comunidade internacional e minou a credibilidade dos norte-americanos, que tentam estabilizar o país árabe ocupado desde o ano passado.
Novos casos de tortura ocorridos em outros locais foram incluídos na carta de 25 de junho escrita pelo vice-almirante da Marinha Lowell Jacoby, diretor da DIA, para Stephen Cambone, subsecretário de Defesa para a área de inteligência. A carta foi um dos vários documentos divulgados pela União Americana de Liberdades Civis, que os obteve com a ajuda da Lei de Liberdade de Informações.
Outros documentos revelaram um desentendimento entre o Departamento de Defesa e o FBI (polícia federal) a respeito dos violentos interrogatórios realizados pelo Pentágono. Agentes da DIA que presenciaram o espancamento de um prisioneiro foram ameaçados por membros das forças especiais responsáveis pelos atos de violência e receberam ordens para "não conversar com ninguém nos EUA sobre isso". O prisioneiro levou socos no rosto e precisou de cuidados médicos.
Não se sabe exatamente qual a missão da força-tarefa envolvida nas denúncias. Na guerra contra o Iraque, o Pentágono usou várias dessas forças-tarefa para procurar por fugitivos e por armas de destruição em massa. Elas eram compostas por integrantes de forças especiais e algumas vezes por agentes da CIA.