- A história do filme é que há uma conexão entre a corrupção política e violência urbana. E sobre como a corrupção, quer seja no Brasil ou em outra parte do mundo, não é apenas um crime de desvio de verbas, mas um crime violento. Seguindo a trilha do dinheiro, o filme vai de um político corrupto e chega a um seqüestrador - disse Kohn.
O longa, que venceu o prêmio do júri de Melhor Documentário na edição deste ano do Festival de Sundance, será exibido neste sábado dentro da mostra de cinema DC Filmfest, que está sendo realizada em Washington.
Para estabelecer supostas ligações entre corrupção e o submundo do crime no Brasil, Kohn se valeu de uma gama bem diversificada de personagens e de imagens fortes, que mostram desde a milionária indústria de carros blindados do país até um vídeo pertencente à polícia no qual se vê uma vítima de seqüestro tendo sua orelha arrancada por um seqüestrador.
Ele ouve o ex-presidente do Senado, Jáder Barbalho, acusado de ter usado um centro de criação de rãs como forma de ocultar um desvio bilionário de verbas, o cirurgião plástico Juarez Avelar, que ganhou renome mundial ao desenvolver técnicas para restituir orelhas decepadas, e um assassino e seqüestrador que se apresenta sob a alcunha de Magrinho e relata seus crimes com frieza.
O diretor, de 23 anos, nasceu em Nova York e é filho de uma paulistana e de um empresário argentino radicado em São Paulo. Ele fala português, ainda que, modestamente, não se julgue fluente, e visitou o país em inúmeras ocasiões.
Trama de ficção
De acordo com o diretor, o filme segue as convenções de uma trama de ficção.
- O filme não é de forma alguma jornalístico. O escândalo de corrupção que o filme mostra foi levantado há anos pela imprensa brasileira. E ele visa mostrar que seja no Brasil ou em outra parte do mundo, roubar bilhões de pessoas que não têm nada é um ato de uma violência extraordinária.
A expectativa é que o longa metragem estréie nos Estados Unidos em agosto deste ano. Ainda não há data para sua exibição no Brasil. O cineasta diz serem falsos os relatos de que não quer que o longa seja visto no Brasil.
- Gostaria muito, muito, muito que o filme fosse exibido no Brasil. Primeiro, porque praticamente toda a equipe é brasileira.
A diretora de fotografia do longa, Heloísa Passos, foi premiada em Sundance.
- Mas não é só isso. É também um filme importante de ser visto pelos brasileiros.
O diretor afirma, no entanto, que, por enquanto, não é possível exibir o longa no Brasil, por motivos que prefere não mencionar, mas que estão ligados ao conteúdo explosivo do longa metragem.
Críticas no Brasil
Kohn refuta as críticas que teria recebido no Brasil, por pessoas que não chegaram a ver o longa-metragem.
- Ele já causou inúmeras reações negativas e ainda nem foi mostrado. As pessoas ficam indignadas que um americano, com um presidente como Bush, ouse falar o que quer seja sobre o Brasil. Infelizmente, o nacionalismo gera reações irracionais. Em primeiro lugar, eu nem mesmo votei nesse cara - diz o cineasta, emendando em seguida com outro adjetivo impublicável sobre o líder americano.
- Não vejo sentido em debater por que o filme foi rodado no Brasil. Não é um filme especificamente sobre o Brasil, porque