O fenômeno que não morre nunca ganha uma nova dose de atenção nos Estados Unidos. Garganta Profunda, o filme pornô que virou uma das produções mais lucrativas da história e virou centro de muita controvérsia no país, é tema de um documentário que acaba de chegar aos cinemas americanos. Inside Deep Throat, dos diretores Fenton Bailey e Randy Barbato, conta a história dos bastidores da produção ¿ que custou US$ 25 mil e arrecadou mais de US$ 600 milhões ¿ e da revolução cultural que a fita causou nos anos 70.
A escolha de Bailey e Barbato para dirigir o documentário (um projeto do HBO com a Paramount) não poderia ser melhor: eles foram responsáveis pelos ótimos Os Olhos de Tammy Faye, Monica in Black and White e inúmeros programas de TV sobre cultura pop. Em Inside Deep Throat eles vão a fundo na história da primeira produção de sexo explícito a conseguir grande alcance, feito impulsionado pela distribuição da Máfia e um levante da direita conservadora (a fita foi proibida em 23 estados americanos).
No documentário, que tem narração de Dennis Hopper, o sucesso do filme é creditado ao boicote organizado pelo presidente Richard Nixon e líderes religiosos. A publicidade grátis levou milhares de pessoas aos cinemas, incluindo celebridades, escritores, socialites, e a produção virou um símbolo da luta pela liberdade na sociedade americana.
O diretor cult John Waters, o Mr. Playboy Hugh Hefner e autores como Camile Paglia e Gore Vidal são alguns dos entrevistados do documentário, que conta também a triste história da estrela de Garganta Profunda, Linda Lovelace, que morreu em um acidente em 2002. Ela se arrependeu de ter estrelado o filme e chegou a afirmar que foi forçada a fazer sexo em frente às câmeras. Anos mais tarde, ela voltou atrás nos comentários e chegou a trabalhar em outros filmes de "soft porn".
Lovelace e o astro do filme, Harry Reems, receberam muito pouco dinheiro pelo trabalho e sofreram épocas de pobreza e problemas com álcool. ¿Inside¿ mostra o esquema de distribuição da Máfia, que coletava sacos de dinheiro diretamente da bilheteria dos cinemas americanos. Há estimativas de que o filme possa ter arrecadado muito mais do que os US$ 600 milhões estimados.
Em cenas de arquivo, a atriz aparece falando sobre as tentativas de proibição do filme. "O último homem a tentar proibir coisas foi Adolf Hitler e vejam o que aconteceu", diz.
O filme original, por sinal, também está voltando à cultura pop com força. A empresa que tem os direitos está lançando duas versões em DVD, uma com todas as cenas de sexo originais e outra mais "light".