Os moradores de Londres com baixa renda podem pedir, a partir desta semana, um cartão que dá desconto de 50% nas tarifas de ônibus da capital britânica. A redução acontece graças a um acordo entre o prefeito da cidade e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Pelo acordo, a estatal venezuelana de petróleo, PDVSA, dará US$ 32 milhões ao longo de um ano para subsidiar o transporte para pobres em Londres em troca de ajuda técnica da prefeitura da cidade para melhorar o sistema de transporte da capital venezuelana, Caracas.
Segundo as contas do prefeito de Londres, Ken Livingstone, ao menos 250 mil londrinos, incluindo pais solteiros, desempregados e deficientes, serão beneficiados com o corte no preço das passagens. O acordo, acertado durante uma visita do presidente venezuelano a Londres no ano passado, tem sido criticado em ambos os países.
Ira da oposição
O jornal britânico Financial Times comenta que “o acordo provocou a ira da oposição a Livingstone, que questiona por que Londres, uma das cidades mais ricas do mundo e um centro financeiro em expansão, está aceitando doações de uma nação em desenvolvimento cujo Produto Interno Bruto per capita é estimado em menos de um quarto do da Grã-Bretanha”.
O diário observa ainda que a própria prefeitura de Londres admite que o custo do acordo para Londres será “minúsculo comparado com o presente da Venezuela”. O acordo com Londres “marca outro golpe de relações públicas de Chávez, após seus recentes acordos para vender óleo para aquecimento com desconto de 40% a 100 mil famílias pobres dos Estados Unidos e gasolina para o Irã aliviar sua escassez do produto”.
O Centro de Análises Venezuelano Fundación Justicia y Democracia, que se opõe a Chávez, acusa o presidente venezuelano de estar prejudicando as contas da PDVSA com suas doações. Segundo as contas do centro, a Venezuela já “doou” US$ 30 bilhões para países aliados desde 2004 – Cuba é o país que aparece na lista da fundação como maior beneficiário dessas doações, com US$ 7,6 bilhões, e o Brasil aparece em terceiro, com US$ 4,5 bilhões.