Rio de Janeiro, 17 de Abril de 2026

Do Sputinik ao disco voador

Por Mario Eugenio Saturno - A ignorância é um fantasma que assombra a humanidade. Dela fazem os poetas o mundo ser fantástico, mágico, tão belo que o torna irreal. Tais poetas da religião e das pseudociências levam-nos ao comportamento dos apaixonados que ao verem suas musas exuberam um misto de incontrolável alegria e medo. (Leia Mais)

Quarta, 19 de Abril de 2006 às 19:34, por: CdB

A ignorância é um fantasma que assombra a humanidade. Dela fazem os poetas o mundo ser fantástico, mágico, tão belo que o torna irreal. Tais poetas da religião e das pseudociências levam-nos ao comportamento dos apaixonados que ao verem suas musas exuberam um misto de incontrolável alegria e medo. Dominados assim rejeitamos explicações simples de fenômenos naturais. A emoção acima da razão. Crenças recentes, erros antigos.

Até recentemente acreditava-se em casas mal-assombradas. Hoje, sabemos que a dilatação de materiais e ventos sobre tubos e chapas geram ruídos. Somente alguém leigo de Física ousa acreditar em fantasmas.

No passado, vinham do céu demônios e anjos, agora é a vez seres do espaço exterior povoar a mente das pessoas que têm uma imaginação fértil. E tudo começou no dia 4 de outubro de 1957, ano em que o primeiro satélite artificial, o russo Sputinik, entrou em órbita terrestre. E todos olharam para o céu de um modo diferente.

Como temos aproximadamente cem bilhões de galáxias e cada uma cem bilhões de estrelas, é grande a chance de existir vida inteligente por aí e como a nossa. Porém, astronomicamente distantes. Ora, os extraterrestres devem ter ciência e tecnologia que abreviem distâncias! É possível, daí a ter certeza, só sendo um bom crente...

Se assim é, tais seres não precisam abduzir nem fazer experiências com seres humanos. O problema é que os abduzidos de até dez anos atrás não conheciam engenharia genética, clonagem, útero artificial... Mas não se preocupem, daqui alguns anos os alienígenas estarão utilizando tais técnicas, segundos seus videntes.

Não nos esqueçamos que todos estamos sujeitos a ter alucinações. E mais até, estamos sujeitos a ter "falsas memórias", que nos parecem reais quando na verdade não são. Terapeutas que tratam de abusos sexuais e abdução alienígena tem algo em comum: gastam meses encorajando as vítimas a lembrarem os abusos.

Entre milhares de casos, chama a atenção o de um delegado de Nova York, honesto e religioso. Um certo dia, após uma reunião muito emotiva numa religião fundamentalista, uma de suas filhas "lembrou-se" de ser sido abusada pelo pai.

Depois de algumas sessões com um psicoterapeuta, empregando hipnose, o infeliz delegado começou a lembrar-se de abusar da filhas. Sessões com as filhas e esposa acabou envolvendo diversos cidadãos honrados em orgias satânicas. Então, um pesquisador foi chamado para realizar experimentos controlados com a família. E tais absurdos foram esclarecidos, embora tarde para retirar o infeliz pai da cadeia.

Outro caso, ocorrido na Pensilvânia, uma adolescente, encorajada pelo professor e assistente social, acusou seu pai de ter abusado sexualmente dela. Diante de um pesquisador sério, ela lembrou-se ainda de ter tido três filhos, mortos pelos pais e ter visto sua avó voar numa vassoura. Este pai foi mais afortunado, processou a clínica responsável e ganhou meio milhão de dólares.

Sobre mais de 12 mil casos de abuso sexual envolvendo satanismo no FBI, nem um único mostrou-se consistente. Ou seja, não se deve confiar plenamente na memória nem em terapeutas amadores. E se abusos inexistentes são "lembrados" por pais e filhas, o que diremos dos que entram em contato com seres do espaço?

Relatos pessoais não são prova. Povos diferentes têm alucinações semelhantes, sujeitas a diferenças de conteúdo cultural. Ou seja, é um fenômeno humano. E, o que é pior, desajustados emocionalmente tornam-se profetas (videntes) e guias.

Não são os leigos que cometem enganos. No começo da década de 60, astrônomos soviéticos convocaram a imprensa em Moscou para anunciar o que seria a descoberta do século: a descoberta de uma fonte emissora poderosa de rádio em um distante objeto, chamado CTA-102, e que variava regularmente, como uma rádio-bússola. Até então, nenhuma fonte periódica havia sido observada no espaço. Queriam os russos ter descoberto uma poderosa civilização extraterrestre.

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