Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Do sonho à realidade: projeto ajuda 20 mulheres a construir casas próprias em Oaxaca

Quinta, 18 de Agosto de 2011 às 11:59, por: CdB

Osonho de ter uma casa própria está perto de se tornar realidade para 20mulheres de Oaxaca, no México. Um projeto da Associação Adobe for Women ajudana construção de moradias sustentáveis para mulheres no povoado indígena de SanJuan Mixtepec, no estado mexicano.

Mariada Paz, criadora e coordenadora do projeto, revela que a construção das casascomeçou em março deste ano e atualmente algumas moradas já "têm as paredesquase prontas”. As mulheres beneficiadas com o projeto não só acompanham deperto as obras como também participam delas.

Atéagora, as 20 mulheres beneficiadas produziram, juntas, mais de 40.000 adobes(tijolos produzidos com solo argiloso e moldados artesanalmente) que serãoutilizados nas casas. Além delas, segundo Maria da Paz, as obras contam com aajuda de muitos estudantes e voluntários do México e de outros países.

Acoordenadora do projeto considera que a participação das mulheres no processode construção dos lares possibilita para elas "um sentido de identidade aindamaior, pelo que [a futura morada] será mantida e preservada com um cuidadoespecial”. Outro ponto destacado por Maria da Paz é a oportunidade de aprendizadoe até mesmo de uma garantia de renda futura.

Segundoela, ao "ensinar a construir”, as mulheres aprendem a produzir a própria casa eainda adquirem conhecimentos que poderão ajudá-las financeiramente. "Provadisso é que, em agosto de 2011, as mulheres tiveram a sua primeira encomendaexterna de 8.000 adobes. Uma mudança de sistemas e de mentalidades!”, comemora.

Alémde parte da mão-de-obra, as mulheres beneficiadas disponibilizam o terreno paraa construção da casa, o transporte de pedra, a limpeza das canas, uma asna demadeira e 2 mil adobes produzidos em conjunto.

Aseleção foi realizada por um padre local e pelo arquiteto mexicano JuanSantibañez, que já realizou trabalho parecido na região. As beneficiadas têmentre 31 e 55 anos de idade. A maioria é viúva ou mãe solteira e vive compoucos recursos financeiros. Outras também já passaram por situações deviolência.

"Exemplodisto é o caso de Bibiana Dominga Rojos, de 55 anos, separada do marido há 30anos por violência doméstica. Ela divide uma pequena casa de madeira com duasidosas dependentes e é, ela, a única responsável pelo sustento das três. Assimcomo Bibiana, centenas de outras mulheres vivem em situações semelhantes, nãoapenas no México, como também na maioria dos países pobres ou emdesenvolvimento”, comenta.

Cadacasa custa, em média, 3.830,84 euros, quantia baixa se pensada em euros e nosvalores do medro quadrado na Europa, entretanto, para as mulheres de Oaxaca, ocusto ainda é alto. Por conta disso, a Associação Adobe for Women conta com oapoio de organizações humanitárias internacionais e de doações voluntárias. "AAssociação apela à contribuição de todos”, comenta, informando que mais detalhespara as doações podem ser obtidos através do sítio da Adobe (www.adobeforwomen.pt).

Inspiração

Oprojeto, iniciado neste ano, é inspirado em outro realizado em Oaxaca, nadécada de 1990. Na época, o arquiteto mexicano Juan José Santibañez auxiliou 20mulheres pobres a construírem suas próprias casas no município de San Miguel deAmatitlán, também no estado de Oaxaca.

Combase nessa iniciativa, a Blaanc, ateliê de arquitetura que trabalha comprojetos sustentáveis principalmente no Brasil e em Portugal, e o ateliê dearquitetura Caeiro Capurso decidiram, em parceira com Juan Santibañez, retomaro projeto de 20 anos atrás. "Assim surgiu a Associação Adobe for Women. EstaAssociação tem como objetivo contribuir para uma utilização mais humana esustentável dos recursos do planeta, ao mesmo tempo em que recupera técnicas deconstrução tradicionais e o uso de materiais locais como a terra e os tijolosde adobe”, revela.

Adecisão por continuar o trabalho no mesmo estado mexicano deveu-se às condiçõesprecárias ainda vividas pelas mulheres em Oaxaca. "Continuam a lutar sozinhaspor um lugar na sociedade e uma melhoria de vida em um estado que tem o 3°maior índice de analfabetismo do país. De fato, mais de 80% da populaçãofeminina continua ou sem saber ler e escrever, ou a ter o ensino básico incompleto”,destaca.

Alémdisso, 60% dos homens chefes de família migram para países desenvolvidos, comoEstados Unidos, deixando em Oaxaca mulher e filhos. Dos que emigram, de acordocom a coordenadora do projeto, apenas 15,7% voltam para a casa de origem.
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