Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

Do Pavan às constatações do sociólogo Chico

Quarta, 20 de Julho de 2011 às 05:30, por: CdB

Por Haroldo Pacheco da Silveira Santos 20/07/2011 às 11:19

Mudanças na esquerda brasileira nos últimos 12 anos.

Segundo o grande intelectual maniqueísta Joel Rufino dos Santos os conceitos de esquerda e direita andam embaralhados de uns tempos para cá. Já tentei desembaralhá-los mas como não sou tão intelectual quanto ele só faço algumas considerações sobre o assunto.
Seu eu fosse maniqueísta diria que a esquerda seria totalmente o Bem desde que fosse simplesmente beneficiar o maior número de pessoas possível, o humano como mais importante que o financeiro e o trabalho como mais importante que o capital. Mas ainda esta definição estaria sujeita a muitas críticas: Quando você trata as pessoas como parte da massa (o povo) não as beneficia, não leva em conta suas idiossincrasias. Pode até chegar ao ponto de não questionar se elas não se sentem ultrajadas pelo massacre de suas honras, se não preferiam passar dificuldades do que ter um governo sem escrúpulo que fala em nome delas. Em tese o ser humano é mais importante que o dinheiro mas há muitos tipos de seres humanos, alguns valem bem menos que formigas, enquanto o dinheiro às vezes faz coisas muito boas e acaba tendo alguma função para estabelecer uma certa meritocracia. O trabalho é importante mas o dinheiro às vezes faz o trabalho funcionar melhor e incentiva que surjam trabalhos menos penosos. Isto não é defesa do capitalismo nem condenação do socialismo, é só uma reflexão para não nos deixarmos enganar por discursos fáceis. Uma parte da esquerda é especialista em distorcer. Outro dia distorceram sobre o que postei a respeito do lixo em Cuba. Mas reconheço que eu deveria ter deixado mais claro o que queria passar: a falta de epidemia não comprova no caso de Cuba uma ótima administração. Da mesma forma espero que minhas críticas à Esquerda possam contribuir para que alguns se tornem mais inteligentes e reflexivos.
Se eu fosse maniqueísta diria que em Santa Catarina Balneário Camboriú era ótima e Navegantes e Itajaí eram péssimas por causa de coisas que presenciei nestas cidades, algumas das quais enviei para a Imprensa. Mas não é bem assim. O fato de eu ter perdido a convocação para trabalhar pela Infraero no aeroporto de Navegantes não foi culpa do pessoal do aeroporto. Diziam que a delegada Jurema tinha raiva do pessoal de Navegantes porque lá descobriram que o marido dela era ladrão de carros.
Do concurso da Prefeitura de Itajaí também não reclamo. Eu tinha sido auxiliar de topógrafo mas não tinha registro no CREA. Já Balneário Camboriú dá o que pensar pela grande arrecadação de impostos que lá ocorre e pelo tamanho do município. Perto da prefeitura daquele balneário a gente podia escutar o Leonel Pavan esbravejando. Muito tempo antes ele já tinha sido considerado o melhor Prefeito do Brasil. Apesar de eu ter sido um dos primeiros colocados no concurso daquela Prefeitura não adiantou reclamar para ser efetivado naquele emprego. Meu pai até pediu ajuda para um amigo da direita, o sr. Hermínio, que conhecia digamos assim os caminhos do poder. Nem este político experiente conseguiu me ajudar. Naquela época a esquerda já era bem mais forte que a direita no Brasil. O Pavan era de esquerda e sua família era dona de restaurante e de muitas outras coisas. Uma comunista que meu pai admirava, a Léa, tinha se afastado da política. Nossos únicos conhecidos comunistas estavam em Florianópolis. O sr. Ewaldo tinha falecido. Uma sra. ligada ao PP tinha me ameaçado impedindo-me de chegar perto da redação do Diário do Litoral. Naquela época o PT já estava muito associado ao PP. O sociólogo Chico de Oliveira já denunciava irregularidades da turma do José Dirceu. No PT diziam que o objetivo de todo partido político é chegar ao poder. Ué, não era defender os pobres e os trabalhadores?
Se a intenção dos dirigentes petistas fosse um projeto de esquerda ou de moralização muita coisa que ocorreu em 2000 não teria ocorrido. Mais recentemente o Chico de Oliveira parece que começou a perceber algumas coisas da sociedade e dos pobres que não se encaixam bem nas teses do marxismo ortodoxo. Vou continuar torcendo pelo Chico porque ele me parece bem intencionado. Talvez logo ele perceba que a sabedoria popular geralmente dispensa a luta de classes.

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