Kassab e SerraO casamento político acabou. Não há mais como continuar a parceria política entre o ex-governador e presidenciável derrotado (duas vezes) José Serra do PSDB e o prefeito da capital, Gilberto Kassab (DEM-PSDB até março próximo). Como diz matéria do Estadão ontem, a “Sobrevivência política afasta Serra de Kassab”.
Apesar do prefeito ainda continuar a lotar a prefeitura de serristas desgarrados, abandonados pelo governador tucano Geraldo Alckmin - também adversário cordial de José Serra dentro do PSDB - o ex-governador e Kassab chegaram a uma situação em que nada mais os une e tudo os separa.
Principal motivo da separação: o prefeito quer ir para o PMDB para ser candidato a governador, o mesmo cargo a ser disputado por José Serra ou Alckmin (reeleição) em 2014. O projeto destes dois está claro: um vai para a disputa pela Presidência da República (se conseguir vencer o senador eleito Aécio Neves, tucano de Minas, na disputa interna do partido) e o que não for, concorre ao governo do Estado.
Kassab será cunha do serrismo dentro do PMDB?
Como por aí não há a mínima possibilidade de acordo e de continuarem juntos, Kassab decidiu filiar-se ao PMDB em março. Daí as declarações do vice-presidente da República, Michel Temer, de que o PMDB considera difícil uma reforma política.
Mas, na mesma entrevista (vejam o Destaque de hoje) Temer, principal comandante do PMDB, mostra-se disposto a violar e a liquidar, na prática, a fidelidade partidária quando acena com a instituição da chamada janela partidária na nova forma proposta por ele: a filiação obrigatória por pelo menos 3,5 para quem entra num partido.
É uma forma marota de por fim à fidelidade partidária, mas que permitiria a Kassab filiar-se ao PMDB sem risco de perder o mandato. Resta a pergunta óbvia: o prefeito paulistano irá filiar-se ao PMDB para apoiar o governo ou para ser um aliado do serrismo no partido? Ou será que estou errado?
Foto: Milton Michida/ portal do Governo do Estado de São Paulo