Eduardo Campos (PSB) é o provável adversário a ser batido por Dilma, no Nordeste
O divórcio entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) foi consolidado, na prática, nesta segunda-feira, quando o Diretório Estadual do PT em Pernambuco entregou os cargos nos governos do Estado e nas prefeituras do Recife e de Paulista. Presidente estadual do PT, deputado federal Pedro Eugênio, anunciou a audiência ao governador Eduardo Campos (PSB) para comunicar oficialmente a saída do PT dos governos do PSB.
A medida é uma resposta à decisão do PSB de entregar os cargos no governo Dilma Rousseff, tomada há 30 dias, afastando-se do PT para concretizar o projeto de candidatura presidencial do governador Eduardo Campos. Com a decisão, todos os petistas no governo do Estado e nas prefeituras de Recife e Paulista estão obrigados a deixar os cargos, sob pena de serem submetidos ao estatuto partidário por indisciplina, o que prevê até expulsão.
– Vamos acompanhar o processo de entrega dos cargos. Há casos que vão necessitar de tempo, não podem ser abandonados, precisam ser repassados. Os casos, porém, que aparentem demora da entrega porque a pessoa está querendo ficar, nós teremos que enquadrar – avisou Pedro Eugênio.
A decisão de o PT abandonar, de vez, o barco socialista serviu como pano de fundo para mais uma série de críticas do governador pernambucano e pré-candidato à Presidência da República (PSB), Eduardo Campos, ao governo da ex-aliada Dilma Rousseff. Segundo Campos, "se o Brasil hoje importa médicos, é porque ontem não viu a necessidade de organizar um planejamento estratégico na formação de recursos humanos para assistir os brasileiros do Sertão, Pantanal, da Amazônia e das fronteiras com o Uruguai".
A crítica foi formulada na noite desta domingo, diante uma plateia de cerca de 2 mil professores e estudantes de medicina, de todo o País, durante a abertura oficial do 51º Congresso Brasileiro de Educação Médica (Cobem), no Centro de Convenções de Pernambuco, no Recife.
– Nós precisamos reconhecer publicamente que o Brasil falhou no planejamento da formação de pessoas para uma área essencial à expressão da cidadania brasileira – acrescentou Campos.
Segundo ele, é preciso que se adote no país um planejamento estratégico para "vencer os gargalos e consolidar, efetivamente, no Brasil o Sistema Único de Saúde (SUS) como um direito da cidadania brasileira".
– Entendo que o diálogo que será travado neste congresso tem como diretriz colocar, de um lado, as necessidades sociais e, do outro, as tecnologias que precisam ser aprimoradas, para responder a um modelo que precisa de inovação, sim. Precisa da formação de mais brasileiros para a área da saúde, não apenas aqueles que vão fazer medicina, mas todos os outros cursos – disse.
O congresso, que segue até a próxima terça-feira, tem como tema central Desafios na Educação Médica: Necessidades Sociais e Avanços Tecnológicos. Na pauta dos debates, os aspectos atuais e o futuro da educação médica na graduação e pós-graduação, discutindo, entre outros assuntos, a profissionalização docente e o impacto das Diretrizes Curriculares Nacionais nas escolas e na comunidade.
Mais críticas
Ex-ministra do Meio Ambiente e aliada de Campos em uma possível chapa às eleições de 2014, Marina Silva (PSB) publicou em seu blog, na noite passada, um texto no qual faz coro com o atual companheiro de partido nos ataques à presidenta Dilma Rousseff por ela ter supostamente desengavetado um programa com foco em agroecologia por razões eleitorais.
"Não é por mera coincidência que, um ano antes da eleição, a mesma Dilma que promulgou as mudanças no Código Florestal, que favorecem o desmatamento, tenha incorporado o desenvolvimento sustentável ao seu discurso", escreveu Marina.
Na última quinta-feira, Dilma lançou o Programa Nacional de Agroecologia, que prevê R$ 8,8 bilhões em investimentos.
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