A divisão interna do PMDB está longe de um desfecho. O ex-governador do Estado do Rio, Anthony Garotinho, vai recorrer nesta segunda-feira, ao Tribunal Superior Eleitoral, do resultado que, por 351 votos a 303 na convenção extraordinária do partido, decidiu neste sábado que a legenda não terá candidato próprio a presidente da República. Garotinho acredita que a medida precisa ser confirmada em outra convenção, dia 11 de junho, segundo o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP).
Ao final da convenção, em um lance que surpreendeu os correligionários, Garotinho abriu mão de sua candidatura e lançou para a Presidência o senador Pedro Simon (RS), líder de um dos grupos que votaram a favor da candidatura própria. Além dos grupos de Garotinho e Simon, também votaram pela candidatura própria os convencionais ligados ao ex-governador Orestes Quércia (SP), que defendia a candidatura do ex-presidente Itamar Franco.
- Acho prudente aguardar a convenção do dia 11 de junho, prevista pela legislação eleitoral, para saber se o partido não terá mesmo candidato, até porque foi uma votação apertada. A atual convenção transformou-se numa simples consulta às bases do partido, porque seus resultados foram suspensos por decisão judicial - disse Michel Temer a jornalistas, referindo-se à decisão provisória do juiz da 13 Vara Cível do Distrito Federal, a pedido do grupo de Garotinho.
Ainda que reconheçam que a vantagem de 48 votos, bem menos de 10% do total, foi menor do que esperavam, dirigentes contrários à candidatura própria cantaram vitória. Eles defendem que o partido não concorra ao Planalto para ter liberdade de formar alianças com qualquer partido nas eleições estaduais.
- Os dirigentes estaduais do PMDB nos Estados estão livres para fechar as alianças que forem melhores para o partido, porque não teremos candidato a presidente nem vamos fazer coligação nacional - disse o senador Romero Jucá (RR), ex-ministro e candidato a governador de Roraima.