Rio de Janeiro, 11 de Outubro de 2026

Dívidas impagáveis na Europa

Quinta, 11 de Agosto de 2011 às 19:24, por: CdB

Na crise econômica global, quem diria, a França (que fazia dobradinha com a Alemanha resistindo à ideia de ajudar outros países europeus com problemas de dívida) tornou-se a bola da vez. No seleto grupo dos países com notas de risco soberano classificadas como AAA - entre os quais figuram Alemanha, Suíça, Reino Unido, Suécia e Holanda - a França foi considerada o Estado mais vulnerável. Com isso, pode ser o próximo a perder o status de melhor qualidade de crédito.

François Baroin, ministro de Finanças da França, negou riscos de rebaixamento da França e o banco Société Générale pediu que seja feita investigação dos rumores que levaram a esse temor nos mercados. Mas - apesar de a França ter uma classificação de risco nove níveis acima da brasileira, segundo a Standard & Poor’s (S&P) - como a percepção de solidez dá-se a partir do preço que os investidores pagam para comprar o seguro contra um possível calote na dívida dos países, conhecido como Credit Default Swap (CDS), nesta semana, o seguro pago pelos investidores indica que a probabilidade de o Brasil dar um calote na sua dívida pública nos próximos cinco anos é bem menor do que a França. Isto por que o custo para comprar proteção contra um calote da dívida francesa é praticamente o triplo do que os investidores pagam para se proteger de uma suspensão de pagamentos da dívida dos EUA. É, também, maior do que pagam para se precaver de um default no Brasil.

Na percepção dos investidores, contribuem para o quadro negativo a falta de dinâmica de crescimento econômico, o nível de endividamento e a perspectiva de que sua dívida continue crescendo.

Não há fundo que dê conta

França ou Itália... O fato inconteste é que os países europeus não têm como assumir e absorver a dívida daqueles que devem aos seus bancos - como Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha - sem perder o status de AAA. Isso não há como negar, já que essas dívidas soberanas são impagáveis. Não há fundo hoje que possa renegociar tal volume de dívidas, como ficou mais do que evidente. Portanto, a instabilidade dos mercados, declarações de autoridades e profissões de fé simplesmente não resolvem o problema e tampouco pagam as dívidas. O que valeu para a América Latina e Ásia, no passado, e para os EEUU, agora, tem de valer para a França e Alemanha.

 

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