Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Dívida Pública, um Dogma.

Terça, 07 de Junho de 2011 às 12:05, por: CdB

Por Célio Vargas 07/06/2011 às 17:41

A Dívida Pública é uma verdade absoluta e inquestionável entre os poderosos. A única coisa que se aceita discutir é a origem da sua fonte de pagamento. Tanto ela como seus juros devem ser religiosa e tempestivamente pagos, nem que a vaca tussa.

A Dívida Pública é uma verdade absoluta e inquestionável entre os poderosos. A única coisa que se aceita discutir é a origem da sua fonte de pagamento. Tanto ela como seus juros devem ser religiosa e tempestivamente pagos, nem que a vaca tussa.

Hoje, no Bom Dia Brasil, a Miriam Leitão disse:

"Nós pagamos mais impostos, mas o governo não reduz gastos

A revista "Economist" fez uma matéria nesse fim de semana dizendo que a economia vai muito bem, que a economia brasileira no passado, antes do Plano Real, sempre deu problema na área macroeconômica, está em um excelente momento, mas tem problemas. Um problema é o gasto público que continua alto. O Superávit Primário é alto porque está arrecadando mais, nós estamos pagando mais impostos, mas o governo não está reduzindo os gastos. E por outro lado, a inflação continua preocupando todo mundo."

 http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2011/06/miriam-leitao-inflacao-continua-preocupando-todo-mundo.html

Para o "EConomist" e para a Miriam Leitão, o superávit primário deve ser alto mesmo, mas não apenas pela cobrança de impostos mas também pela redução dos gastos públicos, para que seja ainda elevado. O que importa é pagar os nossos credores, gastando menos em saúde, em educação, em segurança pública, em cultura, com o funcionalismo público, pois para os poderosos não são os trabalhadores do setor privado que trabalham muito e ganham pouco, são os trabalhadores do setor público que trabalham pouco e ganham muito. Não são os trabalhadores do setor privado que devem trabalhar menos e ganhar mais, mas os servidores públicos que devem trabalhar mais e ganhar menos. Tudo isso para pagar a dívida pública e seus juros, pois "a dívida pública" disse Marx, "como com o toque da varinha mágica, reveste o dinheiro improdutivo de poder procriador e transforma-o assim em capital, sem que, para tal, tivesse precisão de se expor às canseiras e riscos inseparáveis da sua aplicação industrial e mesmo usurária. Na realidade, os credores do Estado não dão nada, pois a soma emprestada é transformada em títulos de dívida públicos facilmente negociáveis que, nas mãos deles, continuam a funcionar totalmente como se fossem dinheiro sonante. Mas também, abstraindo da classe de pensionistas desocupados assim criada e da riqueza improvisada dos financeiros que fazem de mediador entre governo e nação - como também da dos arrendatários de impostos, mercadores, fabricantes privados, aos quais uma boa porção de cada empréstimo do Estado realiza o serviço de um capital caído do céu -, a dívida do Estado impulsionou as sociedades por ações, o comércio com títulos negociáveis de toda a espécie, a agiotagem, numa palavra: o jogo da bolsa e a moderna bancocracia."

Pagar altos tributos é necessário mas não é suficiente, temos que reduzir nossos gastos públicos.

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