Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2026

Dívida pública federal cambial ameaça estourar meta

Segunda, 22 de Dezembro de 2008 às 16:43, por: CdB

A valorização do dólar provocou um aumento de 12,2 bilhões de reais na dívida pública federal brasileira em novembro e ameaça o cumprimento de uma das metas da programação de endividamento do Tesouro Nacional para o ano.

No mês passado, a dívida pública federal - interna e externa - aumentou no total 2,16%, ou 29 bilhões de reais, na comparação com o mês anterior, e totalizou 1,374 trilhão de reais.

Além do efeito do dólar, que impacta principalmente as obrigações externas do país, contribuiu para o aumento da dívida uma emissão líquida de 4,4 bilhões de reais em títulos no mercado doméstico, além da incidência de juros.

A parcela da dívida total atrelada ao câmbio fechou novembro em 9,7% do total, contra 9% em outubro e frente a uma meta de 7 a 9% estabelecida pelo Tesouro para 2008 no final de agosto.

O coordenador-geral da Dívida Pública, Guilherme Pedras, afirmou que ainda não é possível prever em que patamar essa parcela da dívida deverá fechar o ano, pois sua correção dependerá do valor do dólar no final de dezembro.

- O aumento é um efeito da desvalorização do real frente ao dólar e o resultado de dezembro dependerá em grande medida do valor da Ptax (taxa média do dólar) - disse Pedras a jornalistas.

Em novembro, o dólar acumulou alta de 7,41% frente ao real.

Dívida interna

Considerando apenas a dívida mobiliária federal interna, o crescimento do endividamento foi de 1,48% em novembro, para 1,244 trilhão de reais.

No mês, houve uma emissão líquida de 4,4 bilhões de reais e a apropriação de juros somou 13,7 bilhões de reais.

- Novembro apresentou condições melhores de gestão da dívida do que outubro - disse Pedras. "Mas continua um grau significativo de incerteza no mercado internacional."

A participação da dívida cambial sobre a dívida interna total, incluindo os contratos de swap, aumentou para 3,17%, frente a 1,32% em outubro.

A parcela dos títulos prefixados - considerados melhores para o gerenciamento da dívida - aumentou para 31,61% em novembro ante 31,50% em outubro.

Os papéis atrelados à Selic caíram para 34,55% contra 35,93% em outubro, incluindo os contratos de swap. No mesmo período, a participação dos títulos corrigidos por índices de preços passou de 29,75% para 29,15%.

Tags:
Edições digital e impressa